Estratégia do Iraque é buscar prolongar guerra

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 19:44, por: cdb

A estratégia iraquiana para frustrar um ataque norte-americano inclui prolongar ao máximo o avanço de tropas americanas a Bagdá e depois confrontá-las em uma batalha sangrenta na capital iraquiana, de acordo com fontes da inteligência americana.

Para impedir forças americanas e aliadas, o governo de Saddam Hussein desenvolveu planos de explodir barragens, destruir pontes e incendiar campos de petróleo, disseram autoridades da defesa dos EUA. Eles dizem que o Iraque também negará comida aos civis iraquianos da parte sul do país para criar uma crise e responsabilizar os EUA pelo desespero de milhões de iraquianos.

Quando as forças americanas e aliadas se aproximarem de Bagdá, eles encontrarão cinturões de defesa de forças de elite da Guarda Republicana.

Muitos soldados da Guarda Republicana estão agora dispersados, uma estratégia para a ajudá-los a sobreviver de ataques aéreos que abririam o caminho para a invasão. Mas quando a guerra começar, eles devem se posicionar em locais já estocados com munições e suprimentos básicos.

Algumas unidades da Guarda Republicana estão equipadas com máscaras para se protegerem de um ataque químico, bem como unidades de elite em Bagdá. Este é um dos vários sinais que levaram oficiais americanos a concluir que o Iraque tentará usar gases venenosos ou armas biológicas contra forças americanas.

Agências da inteligência americana também concluíram que o Iraque tentará atacar Israel com mísseis Scud, armas que podem estar lotadas de gases venenosos ou bactérias.

“Nós temos indicações que o objetivo deles é prolongar, impedir ou negar uma vitória rápida das forças americanas”, disse uma autoridade. “A estratégia básica é mover as operações militares para o terreno urbano”.

Enquanto os EUA, a Grã-Bretanha, Austrália e outros membros da coalizão de George W. Bush se preparam para derrubar Saddam Hussein, a inteligência americana está trabalhando duro para descobrir as intenções iraquianas. Autoridades americanas dizem que os deslocamentos do Iraque e mesmo as declarações de Saddam fornecem indicações da estratégia de Bagdá.

Militares dos EUA insistem que estão confiantes de que uma vitória será rápida e decisiva. Forças americanas estão mais bem treinadas e equipadas que os iraquianos e aviões da coalizão comandariam o céu iraquiano.

O Exército iraquiano está dois-terços menor que durante a Guerra do Golfo Pérsico em 1991. Há indicações de que o exército comum está menor ainda.

E Saddam enfrenta muitas ameaças: uma da suposta invasão americana, outra da população Xiita e uma terceira: alguns elementos das forças armadas podem tentar um golpe quando os EUA iniciarem seu ataque.

“No final do dia, nós iremos vencer”, disse o general Tommy Franks, o líder do Comando Central Americano.

O Iraque, no entanto, está se empenhando para, pelo menos, aumentar a duração da guerra. Seu objetivo é bem diferente do conflito de 1991. Durante essa guerra, a meta do Iraque era permanecer no Kuwait, e manter as tropas inimigas longe da capital.

Mas desta vez, Saddam tem um outro objetivo: sobreviver.