Estados Unidos estimulam repressão na América Latina

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Publicado quinta-feira, 2 de junho de 2011 as 17:26, por: cdb

Enquanto levantamentos e manifestações massivas desafiam aos regimes títeres que levam a cabo as privatizações e as políticas antipopulares do imperialismo neoliberal, os Estados Unidos, o máximo poder imperialista, empreende uma ampla caça às bruxas.

Por Berta Joubert-Ceci, no Workers WorldEstá sendo ajudado pelas forças de ultradireita no país e no exterior e por seus marionetes nos países amigos. Usam o conceito “terrorista” para deter, julgar e, inclusive, executar aos que consideram uma ameaça ao imperialismo – isto é, ao capitalismo monopolista em sua fase final.

Dois exemplos recentes no Caribe e na América Latina ilustram isso: um em Porto Rico e outro em relação à Venezuela e à Colômbia.

Criminalização do movimento independentista de Porto Rico

No dia 10 de maio, durante uma audiência de 20 minutos no Tribunal Federal de Hartford, Connecticut, Norberto González Claudio declarou-se não culpado dos cargos relacionados com o roubo, em 1983, de $ 7,2 milhões de um caminhão da Wells Fargo, pelo Exército Popular Boricua-Macheteros, grupo clandestino, socialista, partidário da independência de Porto Rico.

Dez dias antes, agentes do FBI e do Escritório de Investigações Especiais de Porto Rico o haviam detido em um povoado no centro da ilha. Depois de mais de duas décadas vivendo clandestinamente pelo “delito de lutar pela libertação de sua pátria, a pergunta é: por que foi detido agora? Existe um esforço concertado para tomar represálias contra os movimentos de libertação anticapitalistas e pró socialistas?

Seu irmão, Avelino González Claudio, esteve em uma prisão dos Estados Unidos pelos mesmos cargos desde 2008. Em 9 de maio foi subitamente classificado como “terrorista doméstico” e separado da população carcerária geral. Enquanto esteja isolado será mais vulnerável a ser vítima de tortura. Por mais de um ano lhe foi negado o remédio para o Parkinson, causando-lhe um dano neurológico permanente.

No dia 10 de maio, a outro prisioneiro político portorriquenho nas masmorras dos EUA, Óscar López Rivera, lhe foi negada a liberdade condicional por considerar que sua libertação poderia “promover a falta de respeito à lei”. Ele está preso por quase 30 anos. (Prolibertadweb.tripod.com).

Muitas figuras a favor da independência da ilha estão sob a vigilância constante da polícia e do FBI. Eles e elas recordam bem o vicioso e cruel assassinato do líder dos Macheteros, Filiberto Ojeda Ríos, em 2005, que, após receber um disparo, ficou sangrando até morrer enquanto centenas de agentes do FBI observavam ao seu redor, negando-lhe atendimento médico de emergência.

Isso se entende como uma advertência às forças progressistas da Ilha-Colônia, onde a situação política está em ponto de ebulição. Luis Fortuño, o governador a favor do Estado e afiliado ao fascistóide Partido Del Té, acelerou o neoliberalismo mediante a imposição de leis privatizadoras que beneficiam à burguesia crioula e às corporações transnacionais dos EUA. Um exemplo é seu esforço por privatizar a prestigiada Universidade de Porto Rico, o que tem despertado um glorioso movimento estudantil.

Fortuño aumentou a força repressiva do Estado como um apêndice dos EUA ao designar ao segundo no comando do escritório do FBI na ilha como superintendente da Polícia de Porto Rico.

Venezuela e Colômbia

Na América do Sul, os esforços impostos pelos Estados Unidos para criminalizar a luta e silenciar a oposição tomaram outro caráter.

No mesmo dia em que as autoridades estadunidenses estavam ocupadas na criminalização dos lutadores independentistas portorriquenhos, o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, um grupo de ‘experts’ em justificar o imperialismo (think-thank)(*), lançou seu último documento de agressão; esta vez contra a Venezuela e o Equador. O IISS (por suas siglas em inglês), deve ser recordado como o cérebro promotor da mentira das “armas de destruição massiva”, que serviu de base para a invasão e ocupação estadunidense do Iraque.

Nigel Inkster, diretor de Risco Internacional e Ameaças Políticas do IISS, publicou um livro chamado “Los archivos de las FARC: Venezuela, Ecuador y el Archivo Secreto de ‘Raúl Reyes’”. Inkster também havia participado no engano das armas de destruição massiva.

O livro acusa aos governos venezuelano e equatoriano de uma estreita colaboração com as marxistas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), colocada pelo governo dos Estados Unidos na lista de organizações terroristas. No entanto, o livro já foi desacreditado pela própria Corte Suprema de Justiça da Colômbia.

O relatório do IISS se baseia primordialmente nos supostos resultados obtidos pela Interpol sobre os arquivos informáticos do líder das Farc, Raúl Reyes. Afirma que o computador e as memórias flash (pen drives) se salvaram intactas milagrosamente depois que os militares colombianos bombardearam um acampamento das Farc no Equador, próximo à fronteira com a Colômbia, em 1º de março de 2008.

O bombardeio matou a Reyes e a 22 pessoas mais, incluindo estudantes mexicanos que visitavam o acampamento. O relatório está claramente destinado à agressão contra a Venezuela e aos seus esforços para desenvolver a soberania e a unidade regional independente do imperialismo.

É irônico que o governo venezuelano, um par de semanas antes do informe do IISS, houvesse entregue o jornalista revolucionário Joaquín Becerra ao governo criminoso colombiano de Juan Manuel Santos, supostamente porque Becerra estava na lista da Interpol de pessoas vinculadas às Farc.

Becerra, um sobrevivente do progressista bloco eleitoral Unión Patriótica, cujos membros foram massacrados/as por esquadrões da morte na década de 80 depois de ganhar muitos escritórios locais na Colômbia, teve que refugiar-se na Suécia há mais de 10 anos.

Converteu-se em cidadão sueco e começou uma revista alternativa online (digital), a ANNCOL, que informa sobre a realidade na Colômbia. Por isso, a ANNCOL tem sido um objetivo do ex-presidente Álvaro Uribe e agora do governo de Santos, que querem limpar a imagem da Colômbia com a finalidade de assinar um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.

A declaração de Che Guevara: “ao imperialismo, nada” (nem a mínima concessão ao imperialismo) demonstrou uma vez mais que é correta. O imperialismo forçou o governo venezuelano, através do aliado dos Estados Unidos, Santos, para em seguida, dar volta e acusá-lo, de todo modo, de ajudar ao terrorismo.

Agora, Becerra está em perigo, junto a milhares de outros/as presos/as políticos/as na Colômbia, país que se viu obrigado a abandonar depois que sua primeira esposa foi assassinada.

No dia 19 de maio, toda a base para acusar a Becerra foi demolida. A Corte Suprema de Justiça colombiana determinou que a suposta evidência do computador de Reyes não era válida e, de fato, era ilegal, já que entre outras considerações, os supostos equipamentos informáticos foram tomados sem a autorização ou a participação do governo equatoriano.

O Tribunal assinalou também que os arquivos utilizados para acusar aos governos venezuelano e equatoriano, a Becerra e a muitos/as outros/as ativistas e, inclusive, à progressista Senadora Piedad Córdoba, estavam em formato Word, em correios eletrônicos, pelo que não se podia provar que haviam sido enviados ou recebidos.

Nota:

*Think thank – Instituição de investigação ou outro tipo de organização que oeferece conselhos e ideias sobre assuntos políticos, comerciais e militares. O nome vem do inglês, pela abundância de instituições nos Estados Unidos e significa “Tanque de Ideias”. Algumas mídias em espanhol utilizam a expressão “Laboratório de Ideias” ou “Fábrica de Ideias” (Wikipedia).

Fonte: Adital