Estados Unidos enviam mais 35 mil soldados para o Golfo

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Publicado sábado, 11 de janeiro de 2003 as 18:19, por: cdb

Os Estados Unidos anunciaram o envio de mais 35 mil soldados para o Golfo Pérsico, na maior mobilização até agora na preparação para uma possível guerra contra o Iraque.

Com essas tropas, o número total de soldados americanos na região sobe para mais de 120 mil.

Neste sábado, o porta-aviões britânico Ark Royal também partiu para o Golfo com 1.100 fuzileiros navais a bordo, na maior mobilização naval britânica em duas décadas.

Oficialmente, a tripulação vai participar de um exercício militar na Malásia em junho, mas o governo informou que ela poderá participar de uma ação contra o Iraque no caminho, “se for necessário”.

Pressão

Segundo o correspondente da BBC no Pentágono, Nick Childs, a intenção dos Estados Unidos é manter a pressão sobre o regime iraquiano que, segundo Washington, possui armas de destruição em massa.

“Nós estamos mobilizando tropas e recursos para estar preparados”, disse um alto representante do governo americano à agência de notícias AFP.

O general que comandaria um ataque liderado pelos Estados Unidos, Tommy Franks, esteve em Washington esta semana, apresentando ao governo seus planos para uma possível ação.

Segundo o correspondente da BBC, com o envio destes soldados a presença militar no Golfo se aproxima do tamanho mínimo que analistas consideram necessário para iniciar uma ação militar contra o Iraque, apesar de o Pentágono dar mostras de que o tamanho ideal seria uma força de 250 mil homens.

Os Estados Unidos alegam que o Iraque possui armas de destruição em massa e que, por isso, a postura de Washington em relação a Bagdá permanece a mesma.

O chefe da missão de inspetores de armas da ONU no Iraque, Hans Blix, disse que, até agora, sua equipe não encontrou nenhuma prova da existência dessas armas no país.

Mas, segundo Blix, Bagdá ainda tem que responder muitas perguntas.

Decisão adiada

Na sexta-feira, a Turquia garantiu aos Estados Unidos permissão para inspecionar seus portos e bases aéreas, como parte da preparação para uma possível guerra.

As inspeções devem começar na segunda-feira e estima-se que durem cerca de dez dias.

Washington vem tentando garantir o apoio da Turquia numa eventual ação militar, apesar de o governo turco ainda apresentar dúvidas.

A decisão do primeiro-ministro, Abdullah Gul, de permitir a inspeção das instalações turcas, foi tomada um mês depois de a Turquia ter concordado, em princípio, com as inspeções no Iraque.

A decisão foi adiada por causa da discussão sobre a situação legal dos representantes americanos que inspecionariam as instalações turcas.

A decisão final sobre o uso de bases turcas pelos Estados Unidos no caso de uma guerra contra o Iraque ainda tem que ser aprovada pelo Parlamento, onde deve enfrentar forte oposição.

Durante a Guerra do Golfo, em 1991, o apoio turco foi crítico para a coalizão liderada pelos Estados Unidos.