Estado lacra esgotos de condomínios da Joatinga

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Publicado quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 as 17:12, por: cdb

A surfistas e banhistas que caem na água da Praia da Joatinga, reduto de moradias sofisticadas e caras da Zona Sul do Rio, construídas nas encostas dos morros e paredões à beira-mar, estão surfando e nadando nos próprios coliformes fecais. A poluição deste pedaço de paraíso carioca é feita por alguns moradores da própria localidade, como é o caso de dois condomínios da Joatinga, visitados e punidos na quarta-feira, pela manhã, durante blitz organizada pelo secretário do Ambiente, Carlos Minc.

A força-tarefa, composta por técnicos da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) e da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) e de policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e do Batalhão Florestal, fechou com cimento saídas de esgoto desses dois condomínios que despejavam o material na praia através de tubulações de PVC.

Ambos foram notificados e receberam multas pesadas da Secretaria do Ambiente e terão um prazo de 30 dias para regularizar a situação, ou seja, implantar sistema próprio de tratamento do esgoto, sob pena de responderem a processo judicial por crime ambiental, aberto pela DPMA, ou até sofrer interdição. 

— Não adianta só multar. Esses condomínios já foram multados várias vezes, pela Feema, pela Cedae, e continuam poluindo a praia, além de não pagar a multa. Então, estamos fazendo diferente agora: fechamos a saída dos esgotos, um perito ambiental fotografou os locais para abertura de inquérito e ainda aplicar multas pesadas. A reabertura dos tubos pode até levar o responsável ou responsáveis à prisão —, advertiu Minc.

Primeiro, a força-tarefa fechou uma saída de esgoto do Condomínio da Sajo (Sociedade dos Amigos da Joatinga), composto por cerca de 20 casas e, depois, a do Condomínio Joatinga, situado na Rua Lasar Segall, mais próximo da prainha, com 52 residências. O primeiro joga o esgoto numa galeria de águas pluviais na Rua Sargento José da Silva que deságua no mar. O segundo leva o esgoto sem o devido tratamento por uma tubulação de mais de 100 metros e o despeja diretamente na praia.

Os dois conjuntos de residências já tinham recebido várias multas, seis, no caso do segundo. Desta vez, as multas vão variar de R$ 20 mil a mais de R$ 100 mil, no caso do Condomínio Joatinga. As multas serão calculadas pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), que ser reunirá na próxima terça-feira.

Um morador do primeiro condomínio, o engenheiro Ícaro Guaraná, alegou que a Cedae cobra por um serviço que não presta à comunidade – a rede coletora da empresa só vai até a Estrada do Joá. 

— Os moradores daqui despejam o esgoto na rede de águas pluviais instalada pela Cedae, mas o esgoto não é in natura. Cada casa tem sua própria estação de tratamento. O grande problema aqui é que a Cedae não disponibiliza uma rede coletora com elevatória própria para fazer um serviço e ainda cobra por um serviço que não presta —, argumentou.

No entanto, uma técnica da Feema comprovou com testes bacteriológicos feitos na hora o alto índice de poluição do esgoto que saía dos tubos nos dois condomínios – além de recolher amostras para análises mais detalhadas. Minc explicou que a Secretaria do Ambiente tem a obrigação de coibir crimes contra a natureza e não pode permitir o lançamento de esgoto nas praias. 

— Hoje há fossas duplas, sistemas aeróbicos, anaeróbicos que tratam até 90% do esgoto, o que não é o caso desses dois condomínios. As pessoas daqui têm condições. Vão ter que tratar o esgoto —, decretou.

No entanto, reconhece o direito dos moradores de receberem a rede coletora da Cedae e, por isso, prometeu se empenhar para que a empresa estadual agilize a implantação do serviço nesta área da Joatinga.