Estado Islâmico assume controle total de cidade histórica na Síria

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Publicado quinta-feira, 21 de maio de 2015 as 10:26, por: cdb
Vista geral do Templo de Bel, na cidade histórica de Palmyra
Vista geral do Templo de Bel, na cidade histórica de Palmyra

 

O Estado Islâmico assumiu nesta quinta-feira o controle total de ambos os lados da cidade de Palmira, o antigo e o moderno, na região central da Síria, poucos dias depois de ter se apoderado de uma capital provincial no vizinho Iraque, o que indica que o grupo ultrarradical está ganhando força.

Os dois triunfos aumentam a pressão não apenas sobre Damasco e Bagdá, mas também lançam dúvidas sobre a estratégia dos Estados Unidos de dependerem quase exclusivamente de ataques aéreos para derrotar o grupo radical muçulmano sunita, que é uma ramificação da rede Al Qaeda.

O Estado Islâmico informou em comunicado publicado por seguidores no Twitter que detém o controle total de Palmira, incluindo as instalações militares, na primeira vez em que tomou uma cidade diretamente dos militares e forças aliadas do governo sírio.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo com sede em Londres, disse que o Estado Islâmico agora controla mais da metade do território sírio, após mais de quatro anos de guerra civil contra o governo autocrático do presidente Bashar al Assad. O grupo radical destruiu antiguidades e monumentos no Iraque e há o temor de que poderia agora devastar Palmira, uma cidade antiga, patrimônio da humanidade que abriga ruínas da era romana, incluindo templos bem preservados, colunatas e um teatro.

– Esta é a queda de uma civilização – disse o chefe de antiguidades da Síria, Maamoun Abdulkarim, à agência inglesa de notícias Reuters por telefone nesta quinta-feira. “A sociedade humana, civilizada, perdeu a batalha contra a barbárie. Eu perdi toda a esperança.”

Os confrontos desde quarta-feira na área mataram pelo menos 100 combatentes pró-governo, disse Rami Abdulrahman, chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que baseia a sua informação em uma rede de fontes no território sírio. O Estado Islâmico disse que na retirada as forças pró-governo havia deixado para trás muitos mortos, mas não deu números precisos.

Ruínas tombadas

Os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) apoderaram-se na quarta-feira do norte da cidade histórica de Palmira, na Síria. A informação é do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Após várias horas de luta violenta, “combatentes do EI tomaram posse de partes do norte da cidade, que representam um terço de Palmira”, disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, adiantando que “as forças do regime abandonaram aqueles bairros”.

As ruínas de Palmira classificadas como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que incluem templos e ruas ladeadas de colunas, situam-se no sudoeste da cidade.

Segundo a televisão estatal síria, “as Forças Armadas atingiram grupos de terroristas do EI no norte de Palmira e impediram sua infiltração a partir de áreas no norte da cidade”.

Trata-se da segunda vez que o grupo radical ocupa o norte de Palmira, após ter lançado no dia 13 uma ofensiva contra a cidade, que já causou centenas de mortos. Os mesmos bairros foram conquistados no último sábado, mas o grupo radical perdeu o controle da área em menos de 24 horas.

Mohammad, um ativista de Palmira, disse à agência France Presse que “os soldados do regime fugiram depois do EI ter ocupado o edifício de segurança do Estado” na zona norte da cidade.

– Eles dirigiram-se para a sede dos serviços de informação militares perto das ruínas – adiantou.

A Unesco tem alertado para o risco que correm as ruínas de Palmira desde o início da ofensiva ‘jihadista’, depois de o Estado Islâmico ter destruído tesouros arqueológicos no Iraque.

A cidade com mais de 2.000 anos tem grande importância estratégica para o grupo radical, por estar situada no grande deserto sírio que faz fronteira com a província iraquiana de Al Anbar, que o EI já controla em grande parte.