Estado cria vila de idosos em Sepetiba

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Publicado quarta-feira, 15 de setembro de 2004 as 10:17, por: cdb

O resgate social de idosos ex-moradores de rua ou abandonados pela família já é uma realidade para os 60 moradores da Vila Residencial dos Idosos, da Fundação Leão XIII, em Nova Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. Fundada há dois anos e meio, a vila possui 34 casas mobiliadas – em cada uma residem duas pessoas – e sala de convivência e cozinha coletivas.

Idealizada pela então secretária de Ação Social e hoje governadora Rosinha Garotinho, a vila foi concebida como um local onde os idosos abrigados da Leão XIII pudessem viver como mais dignidade e autonomia, resgatando a cidadania e independência dessas pessoas. Com a construção do conjunto habitacional Nova Sepetiba, o governo do estado destinou algumas casas para o novo espaço da fundação.

– O principal objetivo da vila residencial em Nova Sepetiba foi resgatar a autonomia e independência de cada idoso, que vivia nos abrigos da Leão XIII. Agora, eles recebem um tratamento mais adequado e têm a liberdade de morar numa casa só deles – diz o presidente da fundação, Sérgio de Castro Oliveira.

Os atuais moradores da vila viviam em alojamentos coletivos nos Centros de Recuperação Social da Leão XIII. Muitos foram moradores de rua, que chegaram à entidade por meio dos acolhimentos, e outros procuraram os abrigos por terem sido abandonados pelas famílias.

Na vila, além das residências particulares com dois quartos e cozinha, há ainda uma sala de convivência, onde são realizadas as atividades em grupo, e uma cozinha coletiva para as principais refeições. Uma equipe multidisciplinar com psicólogo, pedagogo, assistente social e auxiliar de enfermagem presta assistência integral aos moradores. Ao todo, trabalham no local cerca de 15 funcionários, contando com a equipe administrativa.

– Aqui, eles participam de oficinas de leitura, realizam passeios e reuniões de grupos que abordam temas como dependência química e alcoolismo, saúde da mulher e cidadania. Também há um trabalho de resgate social, como busca de documentação e localização da família – acrescenta a coordenadora da vila, Mônica Cristina Bastos Fonseca.

Segundo ela, os idosos têm liberdade para fazer o que quiserem e até mesmo cozinhar nas próprias residências. Podem sair da vila para passear a qualquer momento, mas devem voltar até a noite, quando o portão do local é fechado, ou avisar que não retornarão no mesmo dia.

– Estou num mar de rosas, muito feliz. Gosto de ficar em casa assistindo à minha tevê e pintando os meus quadros. Além disso, participo dos passeios e das reuniões de grupos – diz Oswaldo das Neves, 69 anos, que durante 15 anos viveu num centro de recuperação social após ser abandonado pela família.

Um dos primeiros residentes da vila, Neves mora numa casa juntamente com José da Costa, 68 anos. O colega de Neves disse que há cerca de cinco anos ficou desempregado e perdeu tudo o que tinha. Sem saber a quem recorrer pediu para morar num centro de recuperação da Fundação Leão XIII, onde passou a viver, desde então, até ser transferido para a vila.

– Isso aqui é uma maravilha! Nem gosto de pensar no passado – afirma, melancolicamente.
Rosângela Ferreira, 57, e Paulo Mário Francisco de Paiva, 59 anos, também estão muito felizes. Ex-moradores de rua, eles se conheceram no centro de recuperação social do Mato Alto, em Campo Grande, há três anos. Começaram a namorar e quando foram transferidos para a vila resolveram casar. Hoje, moram juntos em uma das residências.

Rosângela conta que morou na rua desde criança. Há uns quatro anos foi atropelada e, depois de recuperada em um hospital público, encaminhada para o centro de recuperação da fundação. Mais ou menos na mesma época, Paulo também chegava à instituição. Desempregado, perambulou pelas ruas durante dois anos e depois pediu ajuda à Leão XIII.

Na nova residência, o casal tem uma horta, de onde sai parte dos alimentos consumidos por todos na vila. Ela gosta de desenhar e ele ajud