Especialistas falam sobre reconstrução de Bam

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Publicado segunda-feira, 29 de dezembro de 2003 as 00:48, por: cdb

Séculos de história viraram pó em menos de 20 segundos quando um terremoto destruiu a antiga cidadela de Bam, no Irã, e tirou da República Islâmica um de seus mais populares destinos históricos.

A antiga cidadela da Rua da Seda poderia ter saído das páginas das Mil e Uma Noites, com suas ruas tortuosas, torres sentinelas imponentes, muralhas, mesquitas e pousadas para caravanas.

– Sua importância vinha de ser uma cidade do século 18 muito bem-conservada – disse Robert Hillenbrand, professor de arte islâmica na Universidade de Edimburgo, Escócia.

As pousadas, escola de teologia e bazares desabaram na madrugada de sexta-feira no violento terremoto que matou mais de 20 mil pessoas.

– A importância de Bam vinha da modernização que destruiu a maior parte dos exemplos do padrão medieval de uma cidade iraniana, com uma cidadela e ruas remotas – disse.

A história da vila no oásis data de mais de dois milênios, mas a cidadela conhecida pelos turistas é do século 18. “A cidadela é um sonho para fotógrafos. É dramática e fica numa colina alta”, disse Hillenbrand.

Reconstruindo

Hillenbrand e especialistas iranianos dizem que nem tudo está perdido. “Poderia ser reconstruída a baixo custo. A principal tragédia é a perda das vidas”, disse Hillenbrand.

Mohammad-Hassan Mohebali, especialista em restauração da Organização de Herança Cultural, disse que o Irã poderá reconstruir a cidade em 5 anos por cerca de 50 bilhões de rials (6 milhões de dólares).

“Há duas reações: uma é a depressão e a perda da esperança; a outra é avaliar nossos recursos, restaurar e reconstruir. Eu pego o segundo caminho”, disse.

Cyrus Etemadi, diretor da companhia de turismo Caravan Sahra, ficou muito abalado com a destruição.

– Para mim, é como ter perdido um amigo que conheço há 40 anos. Mas Bam era apenas uma entre muitas atrações turísticas, e isso não quer dizer apenas monumentos, a natureza e as pessoas são a principal atração, e cultura ainda está lá –  disse.