Especialistas debatem o crescimento da obesidade infantil

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Publicado terça-feira, 17 de novembro de 2015 as 14:34, por: cdb

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

A obesidade infantil traz uma série de preocupações para pais. Por conta disso, o Fórum de Obesidade Infantil, que se realizou nesta terça-feira no Rio de Janeiro, debateu os riscos, o aumento de casos e também como tratar a doença.

Secretária estadual de Ações Sociais e Direitos Humanos, Teresa Cristina disse que ter uma renda mais alta não significa garantir uma alimentação mais saudável. “Grande parte da população não tem acesso a uma alimentação saudável, pois não sabe nem do que se trata. Temos de estabelecer um conceito fixo para isso. Muitas pessoas com capacidade financeira para se alimentar melhor continuam com práticas que prejudicam a saúde. Boa renda e alimentação saudável não andam, necessariamente, de mãos dadas”, afirmou.

A obesidade infantil traz uma série de preocupações para pais
A obesidade infantil traz uma série de preocupações para pais

Diretora do Instituto de Nutrição da Uerj, Inês Rugani reiterou a opinião da secretária e alertou para a fabricação de certos alimentos. “Existe hoje um sistema alimentar que ameaça o planeta, com empresas que visam somente ao lucro, em detrimento da saúde da população. Os exemplos são alimentos processados, transgênicos, com alto teor de sódio. O pior é que eles são os mais consumidos.”

A pediatra Odete Freitas, diretora de Sustentabilidade da Amil, promotora do encontro,  falou da importância do debate e destacou os riscos  da obesidade na infância. “A obesidade é uma das doenças que mais crescem em todo o mundo. E quem enfrenta esse problema logo na infância tem alta probabilidade de desenvolver uma série de enfermidades associadas na fase adulta”, acrescentou.

Segundo Odete, diante desse cenário é importante reconhecer projetos que tenham por objetivo ajudar pessoas “a viver de forma mais saudável e motivar debates que busquem soluções para a atual epidemia de obesidade infantil.”

De acordo com o Ministério da Saúde, os números revelam que uma em cada três crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos (33,5%) está acima do peso. Entre os meninos dessa faixa, 16,6% são obesos, contra 11,8% das meninas também eram obesas. Entre os adultos, o excesso de peso atinge 52,5% da população do país.

Nove anos atrás, essa taxa chegou a 43%, representando um crescimento de 23% no período. Também preocupa a proporção de pessoas obesas com mais de 18 anos: 17,9%. Esse percentual não sofreu alteração nos últimos anos. Conforme o ministério, os quilos a mais são fatores de risco para doenças crônicas, como as do coração, hipertensão e diabetes, que respondem por 72% dos óbitos no Brasil.

Combate a Diabetes

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio promoveu, esta semana e na próxima, uma série de atividades para marcar o Dia Nacional de Combate à Diabetes, comemorado no último sábado. A data é importante para informar e orientar sobre a doença crônica que afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo, mas pode ter os efeitos minimizados com hábitos saudáveis e tratamento especializado.

A SMS oferece o Programa de Diabetes, que disponibiliza tratamento médico especializado nas unidades de Atenção Primaria, com fornecimento gratuito da medicação indicada. Para fazer o tratamento da diabetes, o usuário deve procurar a clínica da família ou centro municipal de saúde mais próximo da sua residência. Para saber a unidade de referência, basta acessar o link “Onde ser Atendido”, disponibilizado no site da SMS, ou ligar para a central de atendimento da prefeitura, no número 1746. Atualmente, 129.852 pessoas recebem acompanhamento para diabetes nas unidades da rede de atenção da Secretaria Municipal de Saúde.

Programa Academia Carioca: porta de entrada para prevenção e tratamento especializado

No Rio, a diabetes deixou de ser um vilão na vida dos participantes do Programa Academia Carioca. O programa, que visa promover o bem estar físico mental e social, conta com cerca de 78 mil participantes em mais de 182 unidades de Atenção Primária, dos quais 32% são diabéticos. Por meio da atividade física, 90% dos usuários diabéticos conseguiram controlar a taxa de açúcar no sangue após começarem a rotina de atividades físicas.

Com a prática regular de exercícios, 96% dos usuários controlaram a pressão arterial e 92% perderam peso. Com o hábito saudável, 14,5% deixaram de tomar medicamentos, 84% diminuíram a dosagem e 80% diminuíram a freqüência dos remédios.

Sobre a diabetes:

A diabetes mellitus é causada pela falta ou má absorção pelo organismo da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que tem a função é quebrar as moléculas de glicose para transformá-las em energia, para ser aproveitada por todas as células.

A diabetes pode ser do tipo I, quando o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. Esse tipo pode ocorrer nos períodos da infância e da adolescência. Já a diabetes do tipo II acontece quando as células são resistentes à ação da insulina, com maior incidência entre a população com mais de 40 de idade. A doença também acontece no período de gestação das mulheres, quando há um aumento de peso das mães.