Especialistas criticam sistema brasileiro de avaliação do ensino

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2010 as 11:17, por: cdb

O atual sistema nacional de avaliação da educação foi criticado por especialistas, gestores e participantes da Conferência Nacional de Educação (Conae). Durante um colóquio sobre o tema, o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Carlos Freitas condenou, nesta segunda-feira, o uso dos resultados dessas avaliações que criam rankings de escolas e políticas de pagamento de bônus para professores que estão nos estabelecimentos com melhor desempenho.

Na opinião de Freitas, as avaliações em larga escala como a Prova Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio e o próprio Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) acabam “apontando um canhão para a escola”. Segundo ele, as avaliações não levam em conta o contexto social em que ela está inserida e a condição econômica de seus alunos e da escola, fatores que influenciam diretamente no desempenho.

– Há razões e razões para que as coisas não funcionem na escola e é só nas planilhas que elas são assim claras e transparentes –, defendeu. O ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Reynaldo Fernandes também participou do debate e defendeu os atuais mecanismos de avaliação que, segundo ele, podem ser aprimorados.

– O Ideb aponta um resultado, mas ele não pode dizer porque aquilo aconteceu, é querer demais de um índice. Um termômetro mede a febre, mas não aponta qual é a causa –, comparou.

Na opinião de Fernandes, o sistema nacional de avaliação “avançou muito” ao definir metas e universalizar alguns exames que antes só eram feitos por amostragem.

Para Freitas, o atual governo avançou pouco nas políticas educacionais em relação ao anterior. Ele defendeu um modelo de avaliação que possa medir o valor agregado. Isso significa avaliar o conhecimento do aluno no início e no fim de cada etapa para aferir o quanto ele aprendeu.

– Devemos tomar por base como ao aluno chegou e não só avaliar como ele saiu –, afirmou.

Para o especialista, as avaliações em larga escala feitas hoje pelo governo federal não chegam até as escolas. Ele defende que as instituições de ensino sejam responsáveis por suas avaliações, discutindo internamente os problemas.

– A avaliação tem que valorizar e envolver os atores da escola. Assim ela pode discutir o que o Poder Público deixou de fazer e o que ela deixou de fazer –, disse.