Especialistas apresentam os últimos avanços do combate à Aids

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de fevereiro de 2003 as 17:10, por: cdb

Mais de 4.000 especialistas no combate à Aids participaram nesta segunda-feira da cerimônia de abertura de uma conferência em Boston destinada a debater os avanços na batalha contra a doença, que afeta 42 milhões de pessoas em todo o mundo e causa mais de três milhões de mortes por ano.

O ex-presidente norte-americano Bill Clinton, que comanda uma fundação de luta contra a Aids, é o convidado de honra dos cinco dias de conferência.

Clinton defenderá o aumento das verbas públicas para permitir o acesso aos tratamentos da doença nos países em desenvolvimento.

Entre os 800 estudos apresentados, figuram vários trabalhos dedicados a novas terapias anti-retrovirais, aguardados com ansiedade pelos doentes que apresentam resistência aos medicamentos atualmente disponíveis no mercado.

Os resultados dos testes de três novos remédios antivirais serão particularmente celebrados.

O primeiro é um medicamento inibidor da protease, que impede a maturação das partículas virais nos doentes resistentes a outros remédios.

O segundo estudo, cujos resultados parecem significativos, é baseado num anticorpo monoclonal que impede a invasão do vírus às células saudáveis, prevenindo assim a infecção.

Também são aguardados os resultados de uma segunda geração de medicamentos inibidores da fusão da membrana do vírus com a membrana da célula-alvo.

Outros estudos mostrarão o avanço do vírus nos Estados Unidos, onde quase um milhão de pessoas são portadoras do HIV, e os comportamentos de risco da população carcerária americana.

Quanto às vacinas, a conferência não espera nenhum anúncio de importância.

Os resultados de uma pesquisa sobre os trabalhos mais avançados nessa área, da empresa norte-americana Vaxgen, não serão apresentados no evento de Boston.

A companhia, a única a desenvolver desde 1998 a pesquisa de uma vacina para o homem em grande escala na América do Norte e na Ásia, prometeu anunciar seus resultados ainda no primeiro trimestre de 2003 e informou que está otimista.

Os cientistas também estudarão, durante a conferência, algumas complicações associadas às terapias antivirais, assim como as implicações de algumas co-infecções entre as pessoas portadoras do HIV, sobretudo com o vírus conhecido como hepatite G, que parece desacelerar o avanço da Aids.

Também será explicada a técnica da interferência do ARN (ácido ribonucleico) na luta contra o HIV, uma pesquisa terapêutica que ainda está na fase preliminar e que permitiria o combate de determinados genes da doença.

A conferência igualmente terá várias apresentações sobre as condições para que as terapias de combate à Aids sejam levadas aos países mais pobres, onde a doença registra um avanço impressionante, sobretudo na África subsaariana, que registrou 3,5 milhões de novas infecções do HIV em 2002, sobre um total de 4,2 milhões de novos casos em todo o planeta no ano passado.