Especialista da FGV diz que acesso ao credito promove inclusão digital

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Publicado sábado, 15 de novembro de 2003 as 10:45, por: cdb

O acesso aos sistemas de crédito é uma forma de promover a inclusão digital, segundo o chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Néri. O professor participou do Painel TeleBrasil, promovido pela Associação Brasileira de Telecomunicações a fim de discutir os caminhos para a Sociedade de Informação.

Na opinião de Néri, “se a gente for esperar as pessoas possuírem renda para ter acesso à Internet, a inclusão digital vai demorar. Temos que utilizar os recursos disponíveis. O acesso ao crédito é muito mais importante para uma pessoa pobre, que a qualquer momento pode ficar desempregada, do que para nós”.

O professor apresentou diversos dados informando que as diferenças nas populações que têm computador em casa são gritantes entre as regiões do país. As pesquisas indicam os estados do Norte e Nordeste como os detentores dos menores índices de acesso doméstico ao computador. E acrescentou que as diferenças são grandes também dentro de um mesmo município ou cidade, citando como exemplo o Distrito Federal. De acordo com dados apresentados por Néri, 82,98% dos moradores do Lago Sul (bairro nobre de Brasília) têm computador em casa, enquanto no Recanto das Emas (cidade-satélite de menor poder aquisitivo) o percentual cai para apenas 2,53% .

O assessor do Ministério das Comunicações, Márcio Wohrles, apresentou no Painel o novo serviço público de internet em alta velocidade que utiliza recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). E explicou que o regulamento deste serviço deverá ser colocado em breve em consulta pública, pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Criado para levar a Internet às populações de baixa renda, o Fust já acumula R$ 2,3 bilhões, fruto de 1% do faturamento bruto de todas as empresas que prestam serviços de telecomunicações.
Segundo Wohrles, a idéia do novo serviço não é proporcionar apenas o acesso ao computador, mas também promover a alfabetização digital. “Não queremos que o usuário seja apenas um clicador de ícones”, destacou.