Especialista critica cotas em cursos de medicina

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Publicado quarta-feira, 12 de janeiro de 2005 as 21:03, por: cdb

O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP), Isac Jorge Filho, criticou a iniciativa do governo federal de criar cotas nos cursos de medicina para estudantes oriundos de regiões com déficit de profissionais. “Quem garante que os estudantes vão voltar para o lugar de onde saíram?” questiona.

O médico aponta que, de modo geral, os alunos vindos do interior do País, acabam se implantando nos grandes centros. “Acredito que para resolver o problema da falta de médicos , as saídas são oferecer um adicional no salário e, principalmente, melhores condições de trabalho”.

Segundo Isac, apesar de São Paulo ter um excedente de médicos, algumas cidades pequenas não tem profissionais e certas regiões da capital também sofrem com o problema. “Em São Paulo, por exemplo, alguns hospitais da zona leste tem dificuldade de contratar especialistas por causa da violência da região”, diz.

De acordo com o Centro de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Saúde, as regiões onde existem vagas em aberto para médicos são em bairros dos extremos da zona leste – São Mateus, São Miguel, Cidade Tiradentes e Guaianases – e da zona sul, no Grajaú, Jardim Ângela, Capela do Socorro, Parelheiros e Campo Limpo. Na zona oeste, há vagas no Butantã, Perus e Pirituba.

Condições – No hospital de Heliópolis, zona sul da capital, o maior problema não é a falta de médicos, mas sim a limitada estrutura e a falta de informação dos pacientes. “O nosso quadro de médicos é completo. Aqui não temos pediatra nem ginecologista porque o hospital não trabalha com isso há anos. As pessoas não sabem disso e vem aqui atrás de atendimento”, explica um funcionário, que não quis se identificar.

A situação é parecida no Hospital do Mandaqui, zona norte, onde o problema não é a falta de médicos, mas sim o elevado número de pacientes que aparecem no hospital atrás de atendimento.

Em Parelheiros, no Pronto Socorro Municipal Balneário São José, a falta de médicos é conseqüência das eleições. Com a mudança de prefeitos, o hospital aguarda a definição de um superintendente. Sem ele, não é possível contratar médicos para as vagas. Atualmente, faltam ortopedistas às segundas-feiras, pediatras às quartas-feiras de manhã e médicos para a maternidade, às sextas-feiras.