Espanha busca apoio contra expropriação argentina

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Publicado quarta-feira, 18 de abril de 2012 as 08:53, por: cdb
Argentina
Na segunda, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou a proposta de expropriação da YPF

O impasse envolvendo os governos da Argentina e Espanha ganha novos elementos nesta quarta-feira. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, está no México para pedir o apoio dos líderes latino-americanos na ação que os espanhóis pretendem mover contra a decisão argentina de expropriar a petrolífera YPF, administrada pela Repsol. Rajoy participa do Fórum Econômico Mundial sobre América Latina, em Puerto Vallarta, na região de Jalisco.

Rajoy participa de mesa-redonda sobre medidas adotadas pelos governos para reagir à recessão econômica global. Há ainda uma reunião com o presidente do México, Felipe Calderón. O primeiro-ministro pretende ir também à Colômbia para conversar com o presidente Juan Manuel Santos.

Porém, ainda na Espanha, Rajoy pretende se reunir com os três principais candidatos presidenciais – Enrique Peña Nieto (Partido Revolucionário Institucional, o PRI), Josefina Vázquez Mota (Partido Ação Nacional , o PAN) e Andrés Manuel Lopez Obrador (Partido da Revolução Democrática, o PRD).

Na segunda, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou a proposta de expropriação da YPF. Pelo texto, em discussão no Congresso Nacional da Argentina, 51% das ações da empresa petrolífera serão expropriadas – o governo federal ficará com 26,06% e as regiões produtoras com 24,99% -, enquanto os restantes 49% serão de responsabilidade das províncias (estados) nas quais a empresa atua. O governo argentino alega que a empresa Repsol, que administra a YPF, cometia uma série de irregularidades, como violações ao meio ambiente. As autoridades informaram que não pagarão o valor exigido pelos empresários espanhóis pela expropriação.

Antes mesmo de assumir o controle da petrolífera Repsol-YPF, o governo argentino anunciou medidas para aumentar a produção de combustíveis. O comunicado foi divulgado na terça-feira, data em que começou a ser debatida a expropriação no Senado. O ministro do Planejamento, Julio de Vido, e o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, culparam a empresa espanhola Repsol pela crise energética argentina. Ela comprou a maioria da YPF, quando a estatal argentina foi privatizada nos anos 1990. Mas, em 2007, vendeu 25,4% das ações ao grupo Petersen, da família argentina Eskenazi, que, na época, recebeu o apoio do então presidente Néstor Kirchner. Atualmente, a Repsol tem 57,4% das ações da YPF – e são essas ações que o governo argentino quer expropriar.

No debate, transmitido ao vivo pela televisão, de Vido e Kicillof acusaram a Repsol de ter repatriado todos os lucros à Espanha, sem investir na exploração e produção de energia na Argentina. Em 2011, a Argentina deixou de ser produtora de energia para virar importadora. Gastou US$ 9 bilhões na compra de petróleo e gás – quase o total do saldo da balança comercial do ano passado, de US$ 10 bilhões.

Segundo Kicillof, a Repsol não investiu na Argentina porque o preço do combustível no mercado interno estava congelado em US$ 60 o barril. No mercado internacional, vale US$ 100. A empresa, disse o vice-ministro, preferiu investir na produção de gasolina Premium – a mais cara -, em vez de suprir o mercado com combustível barato, para o transporte público e os aviões. Por isso, o governo decidiu recuperar o controle acionário da empresa.

Senadores da oposição questionaram a decisão do governo de expropriar apenas as ações da Repsol, sem mexer no patrimônio do grupo Petersen. Tambem responsabilizaram o governo pela falta de energia na Argentina, lembrando que os Kirchner estão no poder ha oito anos. Nestor Kirchner foi eleito em 2003 e sua mulher, Cristina, em 2007. Ela foi reeleita no ano passado, um mês depois da morte do marido.

O presidente da Repsol, Antonio Brufau, disse que a expropriação é “ilegítima” e que vai recorrer aos fóruns internacionais, além de cobrar uma indenização de US$ 10 bilhões. O ministro de Vido – nomeado interventor da empresa, junto com Kicillof – respondeu no mesmo dia, terça-feira. Ele disse que o valor da indenização ainda será determinado e que a Repsol também deveria pagar pelos estragos que fez.

O valor da indenização será tema de debate. As ações da Repsol-YPF vêm caindo desde que o governo argentino começou a criticar abertamente a empresa. Mas, segundo o analista politico Rosendo Fraga, o preco da expropriação vai além do que o governo terá que pagar à Repsol. “A expropriação contribui para maior isolamento internacional da Argentina, e isso tem repercussões para a economia e para outras empresas nacionais”, disse, em entrevista à EBC. Na América Latina, a proposta de Cristina Kirchner foi apoiada pela Venezuela.

O presidente do México, Felipe Calderon, foi solidário com a Espanha. Nessa terça-feira, ele recebeu a visita do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. A Espanha enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história. Calderon manifestou “admiração” pela “coragem” de Rajoy e garantiu que o Mexico será solidário.

A iniciativa da Argentina gerou uma série de contestações na Espanha. As autoridades espanholas condenaram a medida e prometem levar o caso à Justiça internacional. Para as autoridades, a decisão ameaça a relação de cordialidade entre os dois países.

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