Esgrimista venezuelana denuncia golpe e conquista o ouro

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Publicado quarta-feira, 10 de agosto de 2016 as 11:32, por: cdb
Nas arquibancadas das arenas esportivas, torcedores também aproveitam que os olhares do mundo estão voltados para o Brasil neste momento e escancaram a nossa realidade
Por Redação, com Penélope Toledo – do Rio de Janeiro:

Ao que parece, os deuses do Olimpo concordam com a esgrimista, que também é ex-ministra do Esporte da Venezuela e deputada pelo Partido Socialista. Coroaram a sua coragem e ousadia com o lugar mais alto do pódio popular, como um gesto de aprovação de que os Jogos Olímpicos se tornem palco de denúncia do golpe de Estado.

 Alejandra Benitez conquistou ouro e corações
Alejandra Benitez conquistou ouro e corações

Nas arquibancadas das arenas esportivas, torcedores também aproveitam que os olhares do mundo estão voltados para o Brasil neste momento e escancaram a nossa realidade: tivemos uma presidenta afastada à revelia das leis e da Constituição Federal, e seu lugar foi tomado por golpistas.

O ápice foi a cerimônia de abertura da Olimpíada. Consciente das vaias que o aguardavam, Temer foi covarde e preferiu que seu nome não fosse anunciado, como manda a tradição olímpica. Mas não adiantou, os gritos de “Fora Temer” tomaram conta do Maracanã e nem mesmo aumento proposital do volume do som da solenidade foi capaz de abafar o coro.

Não tardou para que as faixas e cartazes de protestos, escritos em diversos idiomas, fossem censurados. A medida ignora o Artigo 5º da Constituição, que diz que “é livre a manifestação do pensamento” e que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Jogos Olímpicos e protestos

Usar as Olimpíadas como palco de denúncias e protestos não é novo. O caso mais famoso foi no México, em 1968, quando atletas negros, no pódio, ergueram desafiadoramente um braço com luva preta, repetindo a saudação dos Panteras Negras, grupo que combatia o racismo nos Estados Unidos. O gesto foi durante a execução do hino estadunidense.

Com desfecho mais trágico, o grupo palestino Setembro Negro usou os Jogos Olímpicos de Munique (Alemanha), em 1972, para reivindicar a libertação de 234 palestinos detidos em Israel e de dois terroristas alemães. O grupo manteve 11 esportistas israelense como reféns durante a madrugada, culminando na morte de dois deles.

Na Olimpíada de Seul, em 1988, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Coreia do Sul excluíram da organização do evento a Coreia do Norte, que havia se reaproximado da União Soviética. Milhares de estudantes sul-coreanos favoráveis à reunificação, saíram às ruas e foram reprimidos por forças policiais. A Coreia do Norte boicotou os Jogos, seguida por Cuba, Etiópia e Nicarágua.

Situação parecida com a do Brasil, que reuniu 30 mil pessoas em Copacabana na última sexta-feira para denunciar o golpe, aconteceu na Austrália, em 2000. Também no dia da abertura, grupos aborígenes aproveitaram para acusar a discriminação sofrida durante “os 212 anos de guerra genocida do australiano branco contra o povo indígena”, como disseram. Outros movimentos aderiram à manifestação.

O “jeitinho” brasileiro

As forças repressoras dos golpistas bem que tentam, mas não conseguem censurar o povo brasileiro. Nos quesitos rebeldia e irreverência, a nossa gente é medalha de ouro! E os protestos, mesmo com todas as proibições e controles, continuam.

No Mineirão, pessoas vestiram camisetas com letras que, somadas, formavam a frase “Fora Temer”. No Estádio Mané Garrincha, em Brasília, uma moça pintou no próprio braço, com batom, a mesma frase. Frase esta que também estampou, em vermelho, o crachá de um voluntário que decidiu abandonar os Jogos Olímpicos em retaliação às censuras. As imagens viralizaram nas redes sociais.

Estes são só alguns dos muitos exemplos que evidenciam que os deuses do Olimpo estão contra o golpe e iluminam a criatividade dxs torcedorxs, dentro e fora das arenas esportivas. Que eles continuem nos protegendo nos tempos sombrios que se anunciam!