Escolaridade e renda é determinante para mortalidade infantil

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Publicado sexta-feira, 26 de dezembro de 2003 as 14:05, por: cdb

A escolaridade e o rendimento das mulheres são determinantes para a redução da fecundidade e também da taxa de mortalidade infantil. Em 2000, o número de mortes infantis era de 40,2 por mil crianças com menos de um ano de idade, cujas mães tinham até três anos de estudo, mas caia para 16,7 por mil entre aquelas cujas mães tinham nível de instrução superior a oito anos.

Em relação à fecundidade, enquanto entre as mulheres sem instrução ou com menos de um ano de estudo a taxa era de 4,1 filhos por mulher, entre as que tinham 11 anos ou mais de estudo, a taxa ficou abaixo de 1,5 filho por mulher. A taxa nacional era de 2,38 e o Brasil ocupava a 75ª posição entre os 192 países da Organização das Nações Unidas (ONU). Os dados estão no novo volume temático do Censo Demográfico 2000, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, “a educação da mãe tem sido uma das principais variáveis socioeconômicas com impacto altamente positivo na redução dos índices de mortalidade infantil”. Nos estados das regiões Norte e Nordeste, com exceção de Roraima (18,4%) e Amapá (19,1%), a proporção de mulheres com até três anos de instrução estava entre 20% e 26% em 2000, enquanto os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentavam valores bem abaixo deste parâmetro, como no caso do Distrito Federal (9,3%) e do Rio Grande do Norte (10,2%).

O estudo demonstra que a mortalidade infantil na área rural era superior a 30% à verificada na área urbana, refletindo, principalmente, os níveis elevados nas áreas rurais do Nordeste. Na comparação das estimativas de mortalidade infantil por cor ou raça, a pesquisa do IBGE mostra que, em 2000, negros e pardos estavam sempre em pior situação que os brancos. Na média nacional, a mortalidade infantil entre filhos de mulheres que se declararam brancas era de 22,9%, mas subia para 34,9% em crianças de cor negra declarada pela mãe e declinava levemente para 33% no caso das pardas.

Quanto à fecundidade, os resultados do Censo 2000 mostram que apesar da média de idade da fecundidade se tornar mais tardia com o aumento da escolaridade, o Brasil ainda tem um padrão etário da fecundidade predominantemente jovem. Em 2000, quase 70% das mulheres em idade fértil, de 15 a 49 anos, tinham menos de 11 anos de estudo.

Em relação ao rendimento, 91,4% das mulheres em idade fértil estavam em famílias com ganho familiar per capita de até cinco salários mínimos. Nas famílias com mais de 5 salários mínimos per capita, a taxa de fecundidade era de 1,1 filho por mulher, mas naquelas famílias com até ¼ de salário per capita a taxa era de 5,30 filhos por mulher.