Errar duas vezes

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Publicado terça-feira, 14 de novembro de 2017 as 09:14, por: cdb

Em uma luta não se pode cometer o mesmo erro duas vezes porque a segunda vez será teimosia estúpida ou traição deslavada

Por João Guilherme Vargas Netto –  de São Paulo:

Logo depois que a Câmara dos Deputados aprovou a lei celerada da deforma trabalhista e a enviou ao Senado, uma parte considerável das cúpulas do movimento sindical e algumas lideranças importantes, atordoadas com o impacto da supressão do imposto sindical compulsório, começaram a acalentar ilusões sobre a possibilidade de corrigir isto por meio de medida provisória (MP) presidencial. A promessa pretendia também amaciar os senadores para não modificarem o texto que viera da Câmara.

A promessa pretendia também amaciar os senadores para não modificarem o texto que viera da Câmara

Tais ilusões e a expectativa acalentada foram uma das causas da relativa passividade do movimento sindical; depois da ocupação de Brasília e antes da entrada em vigor da lei. A única iniciativa sindical que contrariou o marasmo e procurou enfrentar a lei foi o Brasil Metalúrgico; unificador das campanhas salariais em curso e que; com o reforço das centrais sindicais e confederações resultou na jornada do dia 10 de novembro.

A espera, ao mesmo tempo em que se revelava ilusória, fez acreditar em um grande e malfadado acordo em; que direitos dos trabalhadores estariam sendo trocados por dinheiro para os sindicatos, o que não ocorreu.

Atualmente, com o desmanche da ilusão em uma MP salvadora e sua substituição pela expectativa de um projeto de lei (PL); o mesmo erro está sendo cometido por alguns (até mesmo de maneira atabalhoada); com a agravante de que agora se trata tão somente da tentativa de preservação isolada de recursos sindicais legais (mas já garantidos na Constituição).

O argumento

O argumento é o de que algo deve ser feito e este algo tem como palco o Congresso Nacional; o mesmo que votou a lei e a defende. Um Congresso que será mobilizado pelo governo e pelo mercado para votar uma deforma da previdência (mesmo mitigada); contrapondo novamente e de maneira muito clara o dinheiro ao direito.

A vida demonstrou que os agentes principais de resistência à lei celerada (em todos os seus aspectos; e naquele referente aos recursos sindicais legítimos) são os trabalhadores nas empresas, a ação sindical efetiva e o apelo à Justiça do Trabalho.

As discussões

As discussões no Congresso são secundárias, mas têm, como no período anterior, a mesma condição diversionista. A correção legal de rumos na questão de recursos sindicais (efetivada pela orientação consequente dos sindicatos em seu trabalho com as bases); somente acontecerá junto com a ampla rejeição da lei e sua retificação pelo Congresso Nacional em outra conjuntura; depois de derrotada a deforma previdenciária do governo.

Não podemos voltar a encenar a peça mambembe em que sai MP e entra PL; errar duas vezes é estupidez ou traição.

João Guilherme Vargas Netto, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.