Era Lula faz PT vencer em seis capitais e disputar outras nove

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Publicado segunda-feira, 4 de outubro de 2004 as 09:56, por: cdb

Pouco mais de um ano depois de assumir a Presidência da República, com Luis Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) deu um novo e significativo passo nas eleições municipais. Entre todos os partidos, o PT foi o que mais avançou, subindo de 187 para 386 Prefeituras conquistadas, de acordo com as últimas informações do Tribunal Superior Eleitoral, e somou mais de 16,2 milhões de votos (16.251.932), ultrapassando com folga os 11,9 milhões de quatro anos atrás.

O PT administrava oito das 26 capitais, venceu em seis no primeiro turno e disputará o segundo em outras nove. O PSDB ainda não venceu em nenhuma capital, mas vai disputar o segundo turno em sete delas, inclusive na maior cidade do País, São Paulo, com José Serra enfrentando a petista Marta Suplicy. Das nove capitais em que o PT vai para o segundo turno, vai disputar contra o PSDB em Cuiabá, Vitória e São Paulo.

O PFL, por outro lado, que em 2000 elegeu 1028 prefeitos, soma apenas 778 prefeituras dos 5562 municípios brasileiros. O PSDB conquistou 843 municípios, 15.609.548 votos e vai disputar o segundo turno em sete capitais, inclusive São Paulo.

Os resultados parciais das eleições municipais deste domingo indicam o crescimento do PSDB e do PT e mostram uma polarização entre os dois partidos nas capitais. O PT aumentou o número de municípios conquistados de 187 para 386 em relação a 2000 e fortaleceu sua posição. A sigla do presidente Luis Inácio Lula da Silva está em sexto lugar no ranking geral, mas quase dobrou a presença nas prefeituras em relação há quatro anos atrás.

O PMDB continua sendo o partido com mais prefeitos, conquistando 1.024 municípios na última parcial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Depois do PMDB aparecem o PSDB, com 843 vitórias, PFL (778), PP (540), PTB (411), PT (386), PL (373), PDT (296), PPS (289) e PSB (170).

O PFL, que em 2000 elegeu 1028 prefeitos, soma apenas 778. O analista político da Tendências Consultoria Christopher Garman vê no partido o principal perdedor destas eleições, em entrevista ao Jornal do Terra. “Das 96 maiores cidades do País, o PFL ganhou em 11 no ano 2000 e uma semana antes do pleito liderava em apenas 4”, afirmou Garman. O deputado federal José Aristodemo Pinotti (PFL-SP), que tentou emplacar uma candidatura a prefeito em São Paulo, vê na falta de candidatos próprios em grandes cidades o motivo do recuo do partido.

– Os partidos precisam perder a timidez. Para isso, é necessário que os partidos tenham candidatos nas eleições – afirmou Pinotti. 

Mesmo em Salvador, reduto de Antonio Carlos Magalhães, o partido tem cerca de 22% dos votos válidos, contra mais de 43% do pedetista César Borges. O PSDB se firma como a segunda força política do País, crescendo nas grandes cidades e polarizando com o PT. O partido obteve 843 prefeituras e vai para o segundo turno em sete capitais. Em 2000, os tucanos conquistaram 990 prefeituras. “O PSDB tem uma estrutura partidária que sempre foi maior no Sudeste, onde se concentram as maiores cidades”, diz o analista político Christopher Garman.

Entre os partidos que aumentaram o número de prefeituras nestas eleições, estão o PV, o PDT, o PPS, o PSB e o PL. O Partido Verde obteve 54 prefeitos, contra apenas 13 em 2000. O PDT do falecido Leonel Brizola venceu em 296 prefeituras, mantendo o desempenho, e disputa o segundo turno em Salvador com João Henrique. O PPS conquistou 289 municípios e vai para o segundo turno em Porto Alegre com José Fogaça.

O PSB ultrapassou em 37 cidades o número anterior, de 133, e o Partido Liberal foi das 288 prefeituras para 373. Entre os nanicos, o PSTU, o PCO e o PCB não elegeram nenhum prefeito. O PAN (Partido dos Aposentados da Nação) elegeu um prefeito. O Prona, do deputado federal Enéas Carneiro, já elegeu quatro, de acordo com a última parcial divulgada pelo TSE.