Enviado especial dos EUA inicia visita ao Oriente Médio

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Publicado quinta-feira, 3 de janeiro de 2002 as 21:57, por: cdb

O enviado especial americano para o Oriente Médio, Anthony Zinni, deve ter nesta sexta-feira encontros com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e com o líder palestino, Yasser Arafat. Zinni chegou nesta quinta-feira à região, com o objetivo de estimular israelenses e palestinos a retomar o diálogo de paz.

Nesta quinta-feira, Israel decidiu cancelar algumas das restrições impostas aos palestinos, retirando-se de Jenin e parte de Ramallah – duas das principais cidades palestinas na Cisjordânia, ocupadas por tropas israelenses há várias semanas. Apesar disso, o premiê Ariel Sharon insiste que só irá voltar a discutir um cessar-fogo com os palestinos depois que tenham-se passado sete dias completamente sem violência no Oriente Médio.

Mal chegou a Israel, nesta quinta-feira, Anthony Zinni teve uma reunião com representantes da área de segurança do país. Mas, poucos na região acreditam que a relativa calma dos últimos dias possa durar, a não ser seja alcançado algum progresso nas negociações entre israelenses e palestinos.

O general Zinni deve tomar café da manhã nesta sexta-feira com Sharon e outros ministros de seu gabinete na fazenda do líder, no sul de Israel. Durante o encontro, o general deve discutir a exigência de sete dias sem violência, que não estaria agradando o ministro do Exterior israelense, Shimon Peres.

Segundo informações do governo israelense, Peres acredita que Sharon está cedendo aos extremistas ao exigir o prazo. O ministro estaria a favor da retomada dos entendimentos se a atual calma prosseguir – visão que é compartilhada pelos palestinos.

Representantes da Autoridade Nacional Palestina insistem que estão fazendo tudo o que podem contra os grupos militantes que realizam atentados contra israelenses – atendendo, assim, as exigências dos Estados Unidos e de Israel. Anthony Zinni deve insistir para que o líder palestino Yasser Arafat continue esse trabalho, no encontro que devem ter em Ramallah.

Arafat está confinado à cidade pelas forças israelenses. As autoridades de Tel Aviv insistem que ele continua não fazendo o suficiente para prevenir novos atentados, ao mesmo tempo que os palestinos qualificaram de “cosmética” a retirada parcial de tropas israelenses dos territórios palestinos, anunciada nesta quinta-feira.

Eles querem o acabe completamente o cerco às cidades palestinas, e que o enviado americano pressione o governo de Israel a começar a implementar as medidas do Plano Mitchell.

Segundo o plano, depois da redução da violência, Israel deve anunciar o congelamento total da construção de assentamentos, suspender o bloqueio que decretou aos territórios palestinos, retirar suas tropas das áreas ocupadas desde o início dos conflitos em Setembro do ano 2000, e libertar prisioneiros palestinos não envolvidos em atividades terroristas. Pelo seu lado, a ANP deve impedir ataques contra alvos israelenses, colaborar com as forças de segurança de Israel e parar o incitamento contra Israel nos meios de comunicação palestinos.