Entrevista: G20 agrícola evita temas delicados para alimentos

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Publicado sexta-feira, 24 de junho de 2011 as 15:03, por: cdb

O acordo alcançado por ministros da Agricultura dos países do G20 pouco faz para combater a ameaça representada pela elevação dos preços dos alimentos, disse uma consultora independente da agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO.

Os ministros do G20 concordaram na quinta-feira em criar um banco de dados sobre fornecimento, estoque e demanda de alimentos, bem como aumentar as políticas coordenadas.

“Se isto é tudo que vem do G20 –um acordo para obter mais informação– esse é um não acontecimento”, disse a consultora Ann Berg, que também é uma ex-operadora e diretora da Bolsa de Chicago.

O plano de ação para ampliar a transparência no mercado de alimentos e a coordenação política refletem apenas algumas das ambiciosas propostas apresentadas pela França para o ano de sua presidência no G20, ficando aquém dos pedidos do governo francês de uma dura repressão aos especuladores.

Pelo acordo, o Grupo dos 20 concordou em criar uma base de dados chamada de Amis (Sistema de Informação do Mercado Agrícola, na sigla em inglês), abrigado na FAO.

Pode ser difícil implementar o Amis por causa das preocupações da Índia e China sobre questões práticas no fornecimento de suas informações.

“O desafio para o Amis será o desequilíbrio nas capacidades de pesquisas sobre as colheitas e as prioridades divergentes dos países quanto à transparência”, disse Berg.

Berg observou que seria especialmente difícil estimar o suprimento e a demanda na China em razão da vasta escala do país e as rápidas mudanças nas necessidades alimentares.

“Não é fácil ir a campo e determinar as perspectivas para a colheita. Por causa de sua longa história, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é o melhor na avaliação de colheitas”, afirmou Berg.

REGULAMENTAÇÃO

A França não conseguiu obter o apoio dos ministros do G20 para a introdução de limites a posições no mercado agrícola de futuros, para coibir a especulação, e em vez disso recomendou aos ministros das Finanças que tomem decisões para regular melhor esses mercados.

“A decisão de estimular os ministros das Finanças a lidar com a regulamentação é algo como passar o bastão para outro grupo. Não sei se ministros das Finanças terão a habilidade, experiência e compreensão da essência do mercado de commodities para regulamentar as commodities no mercado de futuros”, comentou a consultora.

A França acredita que a especulação no mercado de commodities contribuiu para a abrupta elevação na inflação dos alimentos, mas a Grã-Bretanha ficou entre os países que não veem muito valor na regulamentação.

Reuters