Encontrados 85 corpos de refugiados em praias líbias

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 5 de outubro de 2015 as 12:00, por: cdb

Por Redação, com ABr – de Trípoli:

Pelo menos 85 corpos de refugiados foram encontrados nos últimos cinco dias nas praias do litoral da Líbia, informou nesta segunda-feira uma organização de apoio humanitário que trabalha na região.

Os voluntários do Crescente Vermelho recuperaram, desde  o dia 29 de setembro, 85 corpos em estado de decomposição, que chegaram às praias localizadas entre Tripoli e Sabratah, cidade costeira a 66 quilômetros (km) a oeste da capital Trípoli, disse, em declaração à agência France Press, Mohamad Al Misrati, porta-voz da organização humanitária não governamental, ligada à Cruz Vermelha Internacional.

O representante do Crescente Vermelho não deu informações sobre os países de origem das vítimas.

A Guarda Costeira líbia informou nesta segunda-feira que foram resgatadas 212 pessoas, incluindo 22 mulheres, que estavam a bordo de dois botes. A operação ocorreu ao largo de Garaboulli, a 60 km a leste de Trípoli.

– Recebemos informações que indicavam a presença de dois grandes botes, disse um oficial da Guarda Costeira líbia, acrescentando que a maioria dos imigrantes era proveniente do Senegal e do Sudão.

Com 1.770 km de costa, a Líbia tornou-se ponto central da imigração ilegal, que tem como destino a Europa.

Pelo menos 85 corpos de refugiados foram encontrados nos últimos cinco dias nas praias do litoral da Líbia
Pelo menos 85 corpos de refugiados foram encontrados nos últimos cinco dias nas praias do litoral da Líbia

A ausência de controle na fronteira, os meios limitados da Guarda Costeira e o caos na Líbia (país dividido por violenta disputa entre duas autoridades rivais) têm sido os fatores que mais contribuem para o aumento do número de refugiados.

A grande maioria dos imigrantes tenta alcançar a ilha italiana de Lampedusa, ao sul da Sicília, a pouco mais de 300 km da costa líbia.

Aproximadamente 515 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo desde o início do ano e cerca de 3 mil morreram ou estão desaparecidos, segundo o mais recente relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Alemanha

Cerca de 1,5 milhão de refugiados vão chegar à Alemanha este ano, segundo informações de vários meios de comunicação do país, baseadas em documento confidencial do governo.

Os cálculos mostram que o número é quase o dobro dos 800 mil refugiados que têm sido registrados até agora, apesar de vários representantes do governo já terem indicado que o valor será corrigido para cima.

O documento, citado, entre outros, pelo diário Bild, informa que, entre outubro e dezembro, 920 mil pessoas que pedem asilo entrarão na Alemanha, número que deverá chegar a 1,5 milhão no ano, somando os dados dos meses anteriores.

O documento mostra ainda o receio de que o elevado fluxo de refugiados cause um colapso na capacidade de acolhimento dos municípios e estados.

Outro aspecto citado no documento diz respeito ao impacto para a família daqueles a quem for reconhecido o direito de asilo.

Devido à estrutura familiar dos países de origem, cada refugiado deve trazer para a Alemanha de quatro a oito pessoas.

Cultura e leis

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, exigiu na última sexta-feira aos refugiados que respeitem a cultura e as leis do país que os recebe, depois dos primeiros tumultos em centros de acolhimento.

Aceitar as leis e os valores alemães significa “que digam o verdadeiro nome e país de origem aos funcionários, não lutar, ter paciência e respeitar os outros, independentemente da religião ou sexo”, destacou o ministro numa intervenção no Parlamento (Bundestag), em Berlim.

De Maiziere ressaltou também o direito de todos os requerentes de asilo de serem tratados “em paz, com respeito e dignidade”.

O ministro garantiu que vai atuar “com toda a força do Estado de Direito” contra “os disparates ultradireitistas” e perante o forte aumento dos delitos contra estrangeiros, que já chegaram, disse, a tentativas de homicídio.

O ministro do governo de Angela Merkel apresentava no Bundestag as reformas legais para acelerar os processos, facilitar a integração dos refugiados, acelerar a deportação de quem não for aceito e aumentar o financiamento dos estados federados e dos municípios.

Dados do Ministério do Interior do estado da Baviera (Sul), principal acesso para os refugiados na Alemanha, mostram que só no mês passado o país recebeu entre 270 e 280 mil requerentes de asilo, mais do que em todo o ano passado.

De acordo com as previsões para este ano, o número total deverá ficar entre os 800 mil e 1 milhão de refugiados. “Muitos vão ficar” e “não devem ser apenas tolerados, mas totalmente aceitos” porque vão ser cidadãos, afirmou o ministro.

De Maiziere defendeu uma integração “em duas direções” e a importância de abrir rapidamente as portas do mercado de trabalho a quem tiver possibilidades reais de conseguir ficar na Alemanha e fomentar a aprendizagem da língua.

O ministro advertiu aos requerentes de asilo que respeitem as decisões das autoridades: “o asilo na Alemanha não significa a escolha livre do domicílio”.

Thomas de Maiziere reconheceu que alguns dos centros provisórios de acolhimento não são adequados e estão sobrelotados, mas pediu que não fossem feitas “exigências demasiadamente elevadas”.

– Todos fazem um esforço enorme e de momento é tudo o que se pode fazer – declarou.

O ministro fazia alusão aos problemas registados na última quarta-feira, em Hamburgo (Norte), para onde 500 agentes da polícia foram chamados para intervir num centro de acolhimento, na sequência de tumultos entre dois grupos de sírios e afegãos, num total de cerca de 200 pessoas.

Várias pessoas ficaram feridas, mas até ao momento desconhece-se um número exato.

Aparentemente, os incidentes foram causados por divergências sobre a utilização dos chuveiros e, de acordo com o diário Hamburguer Morgenpost, os dois grupos agrediram-se com barras de ferro e pedras.

No dia 29 de setembro, uma rixa entre sírios e paquistaneses deixou dois feridos em Dresden (Leste). No domingo, 14 pessoas, incluindo três polícias, ficaram feridas num centro perto de Cassel (centro), depois de confrontos entre 70 paquistaneses e 300 albaneses.