Encenação emociona público ao mostrar heróis anônimos

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2012 as 11:48, por: cdb

Recontar a secular história de heróis piauienses anônimos, que foram determinantes para a historiografia brasileira. Esse foi o desafio dos organizadores da nova encenação da Batalha do Jenipapo, durante as comemorações alusivas aos 189 anos da adesão do Piauí à Independência do Brasil, na noite dessa terça-feira (13), em Campo Maior.

Regis Falcão

 Encenação Batalha do Jenipapo

Figuras históricas, como o governador das armas da então província do Piaui, João José da Cunha Fidié, e Leonardo Castelo Branco, líder da resistência piauiense, ficaram em segundo plano.

As personagens de maior destaque foram pessoas do povo: vaqueiros, donas de casa, jovens combatentes. “Demos mais destaque aos dramas familiares, ao romance, à religiosidade das pessoas da cidade”, relata Franklin Pires, diretor de Produção Cultural, da Fundação de Cultura do Piauí (Fundac), e diretor da encenação.

E é um vaqueiro, um homem do povo, portando apenas uma arma rústica que, na peça, dá início à Batalha, mostrando a bravura e o destemor de uma gente que não contava com armas de fogo nem treinamento militar para defender sua terra. A cena de sua morte arrebatou o público pela forte interpretação dos atores envolvidos e pelos efeitos de luz e som.

Encenação Batalha do Jenipapo(Foto: Regis Falcão)É também um anônimo que encerra a encenação, lembrando a morte de mais de 400 pessoas. “Essa é uma história que não tem fim” afirma. Em uma cena comovente, simbolicamente, os mortos piauienses são cobertos por seus entes com bandeiras de seu estado. Em seguida, o Hino do Piauí, que diz: “Vendo a pátria pedir liberdade, o primeiro que luta é o Piauí”.

O novo roteiro foi adaptado do comic book Foices e Facões, do historiador e quadrinhista Bernardo Aurélio. “Toda a história se passa em Campo Maior. Isso nos deu melhores condições de trabalhar”, explica.

Ao todo, 60 atores ajudaram a contar a história da Batalha que deixou cerca de 400 mortos e, apesar da derrota piauiense, enfraqueceu as tropas portuguesas enviadas ao Estado e ajudou a consolidar a independência brasileira do poderio português.

“Foi muito emocionante. Já vivi vários anos, mas este ano foi mais humano”, comenta a funcionária pública Ana Ruth Sousa.