Empresas respondem pela maior parte do crédito requerido junto aos bancos

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Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 as 11:09, por: cdb

Diferentemente do que ocorreu no ano passado, vem do setor corporativo e não do crédito ao consumo a maior fonte de demanda por financiamentos no Brasil início de 2010. Segundo alguns dos maiores bancos do país, a necessidade de capital de giro e a retomada de projetos que estavam congelados devido à crise fizeram o volume de pedidos de recursos dispararem. Contribuem para essa virada projetos ligados direta ou indiretamente a eventos de grande porte, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, obras de infraestrutura nos setores elétrico e de transportes, e a necessidade de segmentos em elevado nível de atividade, como construção civil, ou relacionado à indústria do pré-sal.

Os bancos públicos, cuja fatia no sistema financeiro nacional cresceu de 36,3% para 41,4% do mercado em 2009 em meio à postura mais cautelosa dos concorrentes privados, dão os sinais mais animadores.

– O volume de pedidos de empréstimos para empresas em análise subiu 50% em relação à media mensal de 2009, para quase R$ 14 bilhões – disse Walter Malieni, diretor de crédito do BB, referindo-se ao início de 2010.

A intensidade dos pedidos de financiamento das empresas fizeram a Caixa Econômica Federal deixar de emprestar recursos para empresas apenas para capital de giro e alçar voos mais altos. O plano da Caixa é captar já em março 3 bilhões de reais com prazo de oito anos em letras financeiras, instrumento para os bancos captarem com horizontes mais longos que deve ser regulamentado ainda este mês pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

– Queremos ter financiamento de longo prazo para investimentos – disse em recente entrevista à agência inglesa de notícias Reuters o vice-presidente de Finanças da Caixa, Marcio Percival, adiantando que, pelo mesmo motivo, a instituição vai acessar o mercado internacional com uma emissão de bônus pela primeira vez este ano.

Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a demanda de crédito para compra de máquinas e equipamentos, termômetro maior do ritmo de investimentos que já vinha se aquecendo no final de 2009, ganhou ainda mais força em janeiro.

“E o volume de desembolsos concedidos no mês passado também foi bastante superior”, informou a assessoria de imprensa do banco de fomento, por meio de nota, sem revelar cifras.

Ponta de lança da ofensiva governamental para tentar debelar os efeitos da crise com farta oferta de crédito, o BNDES fechou 2009 com um recorde de R$ 137,4 bilhões em financiamentos, um crescimento de 49% sobre 2008. Nos bancos privados, embora esteja sendo percebido com tonalidade menos vibrante, o movimento é inconfundível, o que fará a carteira de crédito crescer agora de forma mais equilibrada que em 2009, quando as operações de financiamento ao consumo foram o grande destaque.

– O crédito à pessoa jurídica vai crescer mais do que o de pessoa física em 2010 – disse o diretor da área de Corporate do Santander, Carlos Leibowicz.

Segundo ele, um primeiro movimento nesse sentido já foi percebido com o reaquecimento das operações de capital de giro. Para o Bradesco, que viu sua carteira de grandes empresas encolher 0,6% em 2009, enquanto as operações totais avançaram 6,8%, a expectativa de crescimento de até 6% do PIB brasileiro neste ano reativou o ânimo das empresas.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, acredita que esse cenário tende a ampliar a fatia das operações de crédito a pessoas jurídicas no balanço do banco.

– O cenário virtuoso da economia está voltando – disse Trabuco a jornalistas na semana passada, ao comentar os resultados do banco no quarto trimestre.

Capacidade instalada

O uso da capacidade instalada na indústria subiu em dezembro pelo sexto mês consecutivo e alcançou 81,7%, maior patamar desde outubro de 2008, mostraram dados dessazonalizados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira. Em novembro, o uso da capacidade instalada estava em 81,3% e, em dezembro de 2008, em 79,4%.

No último mês do ano, o faturamento real da indústria cresceu 3,5% ante novembro e o emprego aumentou 1,7%, enquanto as horas trabalhadas recuaram 0,4%.