Empresas argentinas recusam pagamento com cartão

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 17:38, por: cdb

Os donos de postos de gasolina decidiram suspender o pagamento de combustíveis com cartões de crédito. A decisão complica ainda mais a vida financeira dos consumidores argentinos, que diante do limite nos saques bancários estavam pagando este e outros gastos do dia-a-dia com cartões. As administradoras de cartões argumentam que a desvalorização do peso e as restrições bancárias geraram dificuldades para o pagamento e compensação desse serviço, especialmente dos saldos referentes ao dólar. Por isso, os argentinos estão tendo problemas na hora de usar o cartão nas viagens ao exterior. “Eu fui pego de surpresa na hora de pagar um hotel no Chile”, contou o advogado Juan Jose Gomez, de 45 anos.

Com o adiamento do fim do feriado do setor de câmbio, esta e outras confusões vão continuar existindo. E não só na vida dos argentinos, mas também dos estrangeiros que vivem aqui. Diplomatas e trabalhadores que recebem o salário em dólar do exterior, nos bancos locais, também estão tendo dificuldades para sacá-lo. “Eles dizem que até pagam, mas desde que seja em peso. E assim mesmo no câmbio de um peso valendo o mesmo que um dólar. Quer dizer, sem considerar a desvalorização anunciada do peso”, disse uma diplomata que preferiu o anonimato.

Esta escassez de dólares no mercado oficial está gerando nova proliferação de cambistas – chamados aqui de “arbolitos”. No centro de Buenos Aires, enquanto as casas de câmbio estão fechadas, os cambistas oferecem a moeda americana por até 1,70 peso.

Acostumados a viver numa economia que passou quase 11 anos ligada ao dólar, com a paridade do peso com a moeda americana, os argentinos até pensam na compra. Mas desistem porque não têm pesos no bolso. O limite de saques, gerado pela falta de liquidez no mercado, impede que sejam adquiridos os poucos dólares oferecidos no mercado paralelo.

Continua a expectativa de que o governo argentino anunciará nesta quarta-feira o aumento do limite de saques bancários de $ 1 mil pesos mensais para $ 1,5 mil mensais. Nos últimos dois dias, os argentinos esperam ansiosamente por este anúncio oficial. Esta medida foi tomada pelo ex-ministro da economia, Domingo Cavallo, na tentativa de estancar a sangria de depósitos. Com ela, porém, conseguiu acelerar a revolta da população nas ruas, que resultou na queda do governo do ex-presidente De la Rúa.

O feriado no setor de câmbio levou ainda o comando da Bolsa de Buenos Aires a adiar a reabertura das suas operações. Já são três dias de Bolsa fechada.

A decisão foi tomada quando o governo oficializou a desvalorização do peso, depois da aprovação no Congresso do fim do regime de conversibilidade. Agora, a expectativa dos consumidores e poupadores é de que a situação de falta de dinheiro comece a melhorar a partir de março, quando o governo promete começar a pagar, em cotas, o dinheiro depositado e trancado nos bancos.