Empresários se mobilizam para derrotar o PT nas urnas

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Publicado domingo, 12 de agosto de 2001 as 16:49, por: cdb

Três banqueiros e quatro industriais ratearam os custos de uma pesquisa destinada a conhecer o que pensa o brasileiro a respeito de conceitos como “revolução socialista” ou “estatização de empresas particulares e bancos” que, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo deste domingo, chegaram a R$ 330 mil. Este, ainda segundo o repórter David Friedlander, é apenas uma das despesas realizadas por um grupo de empresários para minar a candidatura petista às eleições presidenciais de 2002.

Leia a matéria na íntegra:

A elite do empresariado nacional já começou a trabalhar pelo candidato do governo à sucessão de FHC, mesmo sem saber quem ele é. Embora venham repetindo declarações simpáticas a Luiz Inácio Lula da Silva quando estão em público, a portas fechadas eles se articulam para colocar de pé uma alternativa capaz de derrotar o PT na eleição do ano que vem.

Como Fernando Henrique ainda não escolheu seu candidato, o esforço nesta fase pré-eleitoral tem como objetivo ajudar o governo a melhorar sua imagem. E eles estão se mexendo.

Um grupo de empresários do setor industrial está investindo, por exemplo, cerca de R$ 1,2 milhão numa radiografia completa do que aconteceu nos seis anos e meio de Fernando Henrique Cardoso na Presidência.

Como os financiadores do trabalho julgaram que o saldo de FHC é favorável, o documento será transformado em dois livros, que deverão ser amplamente divulgados a partir de setembro.

A intenção é dissociar um pouco a imagem do Planalto de fatos negativos, como o apagão e o desemprego, mostrando que FHC teve bom desempenho em várias frentes. O trabalho envolve 36 pessoas. No momento, o grupo se ocupa do mapeamento das áreas em que supostamente o governo teria tirado boas notas.

Um outro consórcio de empresários, formado por três banqueiros e quatro industriais, rateou os R$ 330 mil de uma pesquisa organizada para descobrir o que o brasileiro pensava a respeito de conceitos como “revolução socialista”, “maior presença do governo na economia” ou “estatização de empresas particulares e bancos”.

O resultado dessa pesquisa, que mostrou uma afinidade enorme entre o discurso de Lula e o que as pessoas estão querendo ouvir de um candidato a presidente, surpreendeu líderes empresariais que tomaram conhecimento do assunto -como os banqueiros Lázaro Brandão (Bradesco), Olavo Setubal (Itaú) e Pedro Moreira Salles (Unibanco), e os industriais Jorge Gerdau e Antônio Ermírio de Moraes.

“Nessa eleição, a rejeição a Lula está diminuindo. Além disso, desta vez ele não está na frente por ser o candidato mais conhecido, mas porque a sociedade se identifica com as coisas que ele diz”, afirma Ney Figueiredo, especialista em marketing e consultor político da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Em grande parte, foram as constatações dessa pesquisa que motivaram o jantar do presidente FHC com dez cardeais do empresariado, no mês passado, na casa de Setubal.

Classe dividida
A elite empresarial pode não estar muito satisfeita com o desempenho de FHC, mas fechou com o presidente porque continua temendo a esquerda e ainda não se sente segura com os outros candidatos da oposição -Itamar Franco (PMDB) e Ciro Gomes (PPS), por exemplo.

Quando o assunto é o candidato ideal, no entanto, não existe consenso entre eles. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, por exemplo, é o predileto do setor financeiro e agrada também à ala das multinacionais. Junto ao grupo da indústria nacional, o prestígio de Malan é muito pequeno.

“O país precisa de um presidente que dê sequência à estabilidade, mas que batalhe pelo desenvolvimento. O Malan não é esse nome”, afirma o deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP), presidente interino da CNI.

Os empresários da área industrial preferem pensar, por enquanto, em dois nomes: o do ministro José Serra (Saúde) e o do governador Tasso Jereissati (CE).

O nome de Serra é mencionado com mais frequência entre os donos de pequenas e médias empresas. Tasso é me