Empresário vai liderar governo de transição na Venezuela

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Publicado sexta-feira, 12 de abril de 2002 as 16:04, por: cdb

Pedro Carmona, presidente da principal associação empresarial da Venezuela, foi indicado nesta sexta-feira pelas Forças Armadas para liderar um governo de transição no país. Em suas primeiras declarações após a renúncia do ex-presidente Hugo Chávez, Carmona disse que o novo governo será formado por militares e representantes da sociedade civil.

Depois de renunciar ao cargo de presidente da Venezuela, na madrugada desta sexta-feira, Chávez – acompanhado por alguns ministros que cantavam o hino nacional – deixou o palácio presidencial de Miraflores e partiu para a base militar Tiuna em Caracas. A renúncia de Hugo Chávez ocorreu algumas horas depois da realização de grandes protestos na Venezuela. A repressão às manifestações deixou pelo menos 11 mortos e mais de 80 feridos.

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A saída de Chávez do governo venezuelano foi anunciada pelo chefe das Forças Armadas do país, general Lucas Rincón. Rincón, que na tarde de quinta-feira havia apoiado Chávez publicamente, declarou que toda a cúpula militar colocou seus cargos à disposição da nova autoridade designada para governar o país. “O presidente recebeu um pedido para que renunciasse e aceitou”, disse o chefe das Forças Armadas venezuelanas.

“Quero pedir que o glorioso povo venezuelano fique calmo e que o Exército dê um exemplo de civilidade, rejeitando qualquer incitamento à violência”, acrescentou Rincón. Nas ruas da capital Caracas, milhares de pessoas celebraram com fogos de artifício a renúncia de Chávez.

Perdão
O comandante do Exército venezuelano, Efraín Vásquez, chegou a pedir perdão ao povo venezuelano pela repressão militar aos protestos realizados no país na quinta-feira. Vásquez declarou que a participação de militares na renúncia de Chávez “não se trata de um golpe de Estado”.

O comandante do Exército disse que alguns generais leais a Chávez tentaram negociar diretamente com seus companheiros os termos para a renúncia. Em seguida, dois representantes militares foram até o palácio presidencial de Miraflores para discutir com Chávez os detalhes para que ele deixasse o poder.