Empresário do Mato Grosso é acusado de assassinato

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Publicado quinta-feira, 6 de novembro de 2003 as 04:44, por: cdb

A Polícia Civil de Rondonópolis enviou na última quarta-feira ao Fórum Criminal da cidade o inquérito que investigou as execuções dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo, crimes ocorridos entre 1999 e 2000 na cidade. No relatório final, o delegado Henrique Menegello indicou como mandante o empresário Sérgio Marchetti, um dos maiores produtores rurais do Estado.

Em depoimento prestado aos delegados Henrique Menegello e Jales Batista Silva, em setembro, o cabo Hércules de Araújo Agostinho havia relatado que ele fora o executor e Marchetti, o mandante. Revelou também a participação do sargento José Jesus de Freitas e do ex-policial Célio Alves de Souza.

O primeiro teria intermediado o crime e o segundo, dado apoio logístico. Pela empreitada, Hércules recebeu R$ 5 mil.
 
– Não será possível saber quanto Célio e Jesus receberam. Um porque está morto e outro porque negou a participação no crime –  disse Jales Silva, que é delegado regional. Jesus foi assassinado em abril do último ano.

O relatório final cita ainda o capitão da PM Marcos Divino e Mônica Marchetti, filha do empresário.

O inquérito foi concluído sem que o delegado responsável anexasse o laudo da reconstituição feita em outubro. Segundo Jales Silva, a reconstituição foi muito trabalhosa e os peritos estariam tendo dificuldade em elaborar o relatório final.
 
– Há réus presos e nosso prazo já estava esgotado. Por isso enviamos sem o relatório – disse o delegado

Contra o empresário pesa, além da confissão de Hércules, uma gravação realizada pela Delegacia de Homicídios de Cuiabá, com autorização judicial, em que um dos interlocutores, ligado a Marchetti, revela o nome do mandante. Marchetti também travava com José Carlos uma batalha judicial em decorrência de desacordo em uma negociação de terras.
 
– O caso já estava em Brasília e tudo levava a crer que o José Carlos ganharia – disse Jales Silva.

O delegado Henrique Meneguello chegou a pedir a prisão preventiva de Marchetti no decorrer das investigações, mas o pleito foi negado pelo juiz Pedro Pereira Campos, que alegou falta de provas.

A reportagem não conseguiu localizar Sérgio Marchetti na quinta à noite, pois ele estaria morando na Bolívia, onde planta soja. Mas telefonou no escritório e na casa de seu advogado Ildo Guareschi, sem sucesso. A pessoa que atendeu o telefone em sua casa anotou o recado e prometeu que ele ligaria logo que chegasse, o que não aconteceu até o fechamento dessa edição. Marchetti foi ouvido em inquérito e negou qualquer participação nos dois assassinatos.