Empresário diz que ex-diretores da Petrobras atuavam em conjunto

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Publicado quinta-feira, 23 de abril de 2015 as 10:55, por: cdb
CPI da Petrobras
Empresário disse que dois diretores da estatal, Paulo Roberto Costa e Renato Duque, trabalhavam em conjunto.

O empresário Augusto Mendonça Neto, presidente da Setal Engenharia, disse à CPI da Petrobras, nesta quinta-feira, que os dois diretores da estatal acusados de receber propinas, Paulo Roberto Costa e Renato Duque, trabalhavam em conjunto.

– Eles não poderiam ter feito o que fizeram sem trabalhar em conjunto – disse.

Em depoimento de delação premiada à Justiça Federal, ele disse que sua empresa pagava propina de 1% sobre o valor do contrato para a Diretoria de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa, e outros 2% para a Diretoria de Engenharia e Serviços, ocupada por Renato Duque. Mendonça está sendo ouvido como testemunha e se comprometeu a dizer a verdade durante o depoimento.

As empresas do grupo dele foram contratadas para realizar obras nas refinarias Presidente Vargas, no Paraná, e Paulínia, em São Paulo.

Depois de Augusto Mendonça, o próximo depoimento à CPI será o do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, no dia 5 de maio. Mendona disse, ainda, que no período em que manteve contratos com a estatal, repassou mais de R$ 70 milhões ao ex-diretor de Serviços Renato Duque e outros R$ 30 milhões para Paulo Roberto Costa, que comandava a Diretoria de Abastecimento.

Sem superfaturamento

O executivo disse, ainda, que a propina paga a diretores da estatal saía da margem de lucro das empresas e não de superfaturamento das obras. Essa afirmação confirma depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa feito à Justiça Federal em processo de delação premiada.

Segundo Mendonça, a Comissão de Licitação da Petrobras recebia ao mesmo tempo as propostas das empresas interessadas em determinado contrato e a avaliação de custo feita pela própria estatal.

– Tinha um setor da Petrobras encarregado de estimar os custos e isso era muito bem feito, como fariam as melhores empresas de engenharia – disse.

Mendonça disse que havia uma faixa de preços que as empresas podiam apresentar para ter a chance de ser contratadas. A proposta das empresas tinha que estar na faixa entre 15% abaixo e 20% acima do custo de referência apresentado pela própria Petrobras.

– Não havia como ter superfaturamento – disse, ao responder pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Viagem a Curitiba

Na sexta-feira, uma comissão de sete deputados da CPI vai a Curitiba se encontrar com o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, onde correm os inquéritos da Lava Jato que não envolvem políticos. Os parlamentares querem documentos em poder da Justiça que podem ajudar as investigações.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), considera que os documentos que ainda não foram compartilhados com a comissão pelo juiz Sérgio Moro são essenciais para a investigação.

Os deputados também vão combinar com o juiz como e onde serão tomados os depoimentos das 19 pessoas presas em Curitiba acusadas de envolvimento em pagamento de propina e formação de cartel na Petrobras. Entre os presos que a CPI pretende ouvir na capital paranaense estão o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do esquema.

– Essa ida a Curitiba, na nossa visão, quanto mais transparente ela for, melhor para termos o bom andamento dos trabalhos. Quero repetir que trabalharei para que as oitivas sejam abertas e públicas, com amplo acesso da imprensa – afirmou Hugo Motta.

A CPI já marcou outras três viagens. Na próxima segunda-feira, um grupo de deputados vai ao Rio de Janeiro conversar com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Nas próximas semanas, membros da comissão visitarão as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. E está prevista ainda uma viagem a Londres para ouvir o empresário Jonathan Taylor, ex-diretor da SBM Offshore, empresa acusada de pagar propinas ao ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco.

Informações obtidas pela CPI indicam que Taylor estaria disposto a colaborar com as investigações. Segundo o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), foi feito um contato preliminar com o empresário e ele disse que não quer vir ao Brasil, mas tem uma documentação vasta e gostaria de entregá-la a integrantes da comissão.