Empresa de valores mantém humilhação aos empregados

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Publicado segunda-feira, 1 de outubro de 2001 as 18:53, por: cdb

A audiência pública realizada nesta segunda-feira, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, sobre as situações de humilhação sofridas por funcionários da empresa Transpev, que atua no transporte de valores, não conseguiu fazer com que os empresários voltassem atrás na decisão de manter as revistas íntimas e periódicas no pessoal.

Mesmo diante da argumentação de ilegalidade e dos apelos feitos pelo Sindicato dos Bancários, pela Ouvidoria Estadual do Trabalho e pela Dra. Lisyane Chaves Motta, representante do Ministério Público do Trabalho, os representantes da Transpev, Abel dos Santos Pereira e Fábio Azevedo, disseram que as revistas em homens vão continuar.

O fato ocorreu durante a Audiência Pública realizada na manhã desta segunda-feira, convocada pelo Deputado Estadual Artur Messias (PT), que preside a Comissão Permanente de Trabalho Legislação e Seguridade Social da ALERJ. Segundo o parlamentar, a posição manifesta pelos representantes da Transpev poderá complicar ainda mais a situação dos empresários, já que a firma já foi condenada em duas ações a pagar indenizações por danos morais a ex-funcionários submetidos a essas revistas.

A Promotora Lisyane Motta comunicou que irá ajuizar ações contra a empresa e proporá, em um primeiro momento, a assinatura de um termo de ajuste de conduta. “Mas caso ele não seja aceito, ou se aceito, não seja cumprido, a Transpev poderá ser multada, sem prejuízo das ações indenizatórias movidas pelos trabalhadores”.

Cerca de 12 (doze) ex-empregados compareceram a audiência e interpelaram os advogados sobre porque as revistas são feitas, se é prática da empresa obrigar o funcionário a cobrir do próprio bolso, quando constatadas diferenças de valores. Além disso, destacaram que todo o serviço de conferência é monitorado por câmeras de vídeo, inclusive a revista, quando são obrigados a tirarem toda a roupa. “Só no banheiro não somos vigiados”, afirmou o ex-funcionário Ricardo Gonçalves.

Os representantes dos bancários e dos bancos Mercantil e HSBC afirmaram desconhecer que outros prestadores de serviços utilizem a mesma prática da revista íntima. Para o Deputado Artur Messias a TRANSPEV “adota métodos arcaicos inaceitáveis e atentatórios a dignidade da pessoa humana”.

A posição “pilatiana” dos bancos de lavarem as mãos em relação ao que vem fazendo a sua contratada chocou aos presentes. O Ministério Público quer que as instituições financeiras assinem como co-responsáveis o termo de ajustamento de conduta, pondo fim a revista íntima.