Embrapa se recusa a discutir fim de punições e demissões arbitrárias

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Publicado quarta-feira, 22 de junho de 2011 as 14:41, por: cdb

(4’10” / 979 Kb)  – O sindicato que representa os trabalhadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) convocou, nesta quarta-feira (22), greve geral da categoria a partir do próximo dia 28. De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF), a mobilização já ganha ampla adesão em todo o país.

Após receber dos trabalhadores uma contraproposta com número de cláusulas e valores das reivindicações econômicas reduzido, os gestores da empresa não permitiram nenhum avanço na negociação.

Para negociar cláusulas de natureza financeira, a Embrapa precisa de autorização do Ministério do Planejamento, que tem negado qualquer ganho real acima da inflação aos trabalhadores do setor público. Em entrevista à Radioagência NP, Vicente Almeida, presidente do SINPAF, revela que a Embrapa também não admite encaminhar propostas como o fim de punições e demissões arbitrárias na empresa.

Radioagência NP: Vicente, o que motivou os trabalhadores da Embrapa a decretarem greve geral?

Vicente de Almeida: A deflagração da greve geral a partir do dia 28 decorre da postura intransigente da Embrapa no avanço das cláusulas econômicas e sociais que os trabalhadores têm apresentado para ela.

Radioagência NP: Qual a postura da Embrapa em relação à contraproposta apresentada na segunda-feira pelo SINPAF à empresa?

VA: A postura da Embrapa foi decepcionante. Mostrou sua fraqueza política e indisposição para lutar mais pelos direitos de seus trabalhadores. Não temos nada além da inflação para reajuste das cláusulas econômicas e não avançamos concretamente na formulação que o SINPAF fez de constituir uma mesa de negociação permanente onde poderíamos reformular o Plano de Cargos e Salários dos trabalhadores da Embrapa e colocar nesse espaço a discussão sobre isonomia salarial, pagamento de Pecúnia, tabela salarial, dentre outros itens importantíssimos para que possamos avançar nas relações de trabalho dentro da empresa.

Radioagência NP: Como a empresa se posicionou em relação às cláusulas que dependem apenas de postura política, como a que impede punições e demissões arbitrárias?

VA: Entendemos que a Embrapa pode avançar substancialmente nas cláusulas sociais, importantes para o avanço da democracia interna na empresa, que se coloca intransigente no avanço da discussão dos trabalhadores sobre os processos de gestão que afetam diretamente a vida dos trabalhadores. É imperioso que a Embrapa se coloque de forma aberta a esse debate.

Radioagência NP: Qual o panorama das mobilizações até este momento e quais são os próximos passos dos trabalhadores?

VA: Os trabalhadores têm atendido às convocações da comissão nacional de negociação de forma impressionante. Temos adesões de 100% em várias unidades da Embrapa e elas vêm aumentando a cada dia. Imaginamos que isso reflete uma interlocução forte entre a diretoria nacional do sindicato e os trabalhadores mobilizados na base. Temos grandes chances de avançar na negociação. Esta não é uma luta apenas dos trabalhadores de Embrapa. Temos pela frente uma luta marcada pelas centrais sindicais para o avanço concreto das cláusulas sociais e econômicas dos acordos coletivos de trabalho.

De Brasília, para a Radioagência NP, Maria Mello.

22/06/11