Embraer vai demitir 1,8 mil funcionários

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Publicado sexta-feira, 28 de setembro de 2001 as 19:48, por: cdb

A Embraer anunciou no final da tarde desta sexta-feira que vai demitir 1.800 pessoas (14% do seu efetivo) das áreas produtivas e administrativas, no Brasil e no exterior, diminuindo o seu efetivo de aproximadamente 12.700 para 10.900 empregados. O custo destas demissões está estimado em cerca de R$ 40,5 milhões (equivalente a US$ 15 milhões). As dispensas começarão a partir da próxima segunda-feira (1º de outubro).

O presidente da empresa, Maurício Botelho, disse que a reprogramação de entregas de aeronaves provocada pelos atentados nos Estados Unidos levou a companhia a decidir pelas demissões.

A crise do setor aéreo mundial, provocada pelos atentados aos Estados Unidos, deve gerar perdas de US$ 700 milhões nas receitas da Embraer este ano, de acordo com o executivo. Segundo ele, no ano que vem essas perdas devem chegar a US$ 1,2 bilhão. Ele disse que este ano serão entregues 160 aeronaves, contra previsão anterior de 185. Em 2002, as entregas devem cair de 220 para 135.

Botelho estimou em US$ 15 milhões o custo da demissão de 1.800 funcionários. Segundo ele, a empresa vai oferecer mais benefícios do que os previstos em lei para os demitidos: um salário adicional e seis meses de plano de saúde.

– As demissões serão imediatas para não causar trauma nos trabalhadores – disse Botelho.

O executivo afirmou que a empresa ainda está decidindo o perfil dos funcionários que vai dispensar, mas já é certo que empregados de todas as unidades da Embraer no mundo serão atingidos.

“Desde os primeiros momentos que se sucederam à tragédia do dia
11 último, estamos acompanhando junto aos nossos clientes as
dificuldades que estão afetando o mercado da aviação comercial em
todo o mundo. Porém, entendemos que isso ocorrerá por um período
limitado de tempo, face à imperiosa necessidade de locomoção das
pessoas, seja por razão de negócios, seja por razão pessoal.
Especificamente, vemos o nosso negócio da aviação regional de forma
diferenciada se comparada à aviação comercial que opera grandes
aeronaves, em decorrência da revolução causada pelo jato regional,
que é irreversível e crescente no mercado mundial”, acrescenta Maurício Botelho.

“Cada vez mais as medidas de segurança e a densidade de tráfego nos grandes aeroportos estimularão a operação ponto-a-ponto, propiciando crescimento destacado a este segmento, no qual a Embraer mantém posição de liderança no cenário internacional”, conclui.