Embaixador de Cuba diz que país apenas se defendeu

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Publicado terça-feira, 15 de abril de 2003 as 12:48, por: cdb

A execução de três pessoas na semana passada em Cuba foi “uma medida de autodefesa” contra um crime que “pôs em perigo vida humanas e a segurança nacional”, disse hoje, o embaixador cubano em Lisboa, Reinaldo Lafferte, à agência Lusa.

Segundo relatou, foi recebido na segunda-feira no ministério das Relações Exteriores pelo subdiretor das relações bilaterais, Silva Leitão, que lhe “transmitiu a posição da União Européia de desagrado em relação a medidas que Cuba tem tomado”.

“Expliquei a nossa posição e forneci abundante documentação sobre a execução dos três terroristas que sequestraram um barco e sobre as atividades da Seção de Interesses dos Estados Unidos em Havana, que persiste em atentar contra a ordem interna” cubana, disse Reinaldo Calviac Lafferte, embaixador em Lisboa desde meados de 2001.

Ele assinalou ter manifestado o seu “desacordo” com este protesto e “comentado”, com a autoridade que o recebeu, como “é interessante que a UE não tenha estas manifestações de condenação e de preocupação em relação à aplicação da pena de morte nos Estados Unidos” ou “em relação aos milhares de iraquianos mortos numa agressão feita contra as Nações Unidas”.

A sentença de morte ditada pelos tribunais cubanos contra os três principais autores do sequestro de um barco com 50 pessoas a bordo foi, garante, “uma medida de autodefesa”.

“Nos últimos sete meses, houve sete atos terroristas de sequestro estimulados pelos Estados Unidos”, crimes que “puseram em perigo a vida de pessoas e a própria segurança nacional” de Cuba, disse Lafferte, acrescentando: “Isso não pode continuar”.

Por outro lado, o embaixador rejeitou liminarmente as críticas feitas por organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que consideraram o julgamento dos acusados “sumário” e “atentatório do direito à defesa” e frisaram que os condenados “foram executados menos de uma semana depois” do início do julgamento.

“Isso é totalmente falso.O que acontece é que os julgamentos são mais rápidos porque os fatos são muito claros, mas sem violar nenhuma das garantias judiciais: os acusados e os advogados de defesa tiveram acesso a toda a documentação e puderam apresenta r recurso para o Supremo Tribunal e para o Conselho de Estado”, a mais alta instância judicial cubana.

Reinaldo Lafferte considerou ainda “especulação gratuita” o temor expresso por aquelas organizações de que estas execuções, que puseram fim a uma moratória sobre a pena de morte de quase três anos, impliquem o fuzilamento iminente das cerca de 50 pessoas que dizem estar “no corredor da morte” em Cuba.

“Cuba, que há muito tempo não o fazia, viu-se agora obrigada a aplicar a pena de morte, que aliás está prevista na lei há muito tempo”, disse, insistindo em que é “pura especulação” dizer que Cuba vai proceder proximamente a mais execuções e indicando não saber quantas pessoas aguardam a execução de penas de morte no país.

Sobre o artigo de opinião publicado na segunda-feira pelo escritor português e Nobel da Literatura José Saramago, em que o autor se diz “desiludido” com o regime, de que era um destacado apoiante, o embaixador afirma “não partilhar do ponto de vista” do escritor, mas destacou a “consideração” e “respeito” que mantém por ele.

Lorenzo Enrique Copello Castillo, Bárbaro Leodán Sevilla García e Jorge Luis Martínez Issac foram executados na sexta-feira depois de condenados por terrorismo ao abrigo da lei 93, datada de finais de 1991.

Os três homens faziam parte de um grupo de onze pessoas que no dia 02 de abril sequestrou um barco com cerca de 50 pessoas a bordo com o objetivo de fugir para os Estados Unidos. Dos autores restantes do sequestro, quatro foram condenados a prisão perpétua e quatro outros a penas de prisão mais reduzidas.

O sequestro, o terceiro num espaço de duas semanas em Cuba, terminou depois de vários dias de impasse com as autoridades cubanas, sem que alguém ficasse ferido.

A execução por fuzilamento dos três homens aconte