Embaixadas da Espanha e da Colômbia na Venezuela são atacadas

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Publicado terça-feira, 25 de fevereiro de 2003 as 16:41, por: cdb

Cinco pessoas ficaram feridas na terça-feira quando bombas foram lançadas contra a embaixada da Espanha e o consulado da Colômbia em Caracas, menos de 48 horas depois de o presidente Hugo Chávez acusar esses países de ingerência na crise do país.

A primeira explosão ocorreu por volta de 2h no escritório de cooperação da embaixada espanhola, onde duas pessoas ficaram feridas. Cerca de 15 minutos depois ocorreu a segunda explosão, no consulado colombiano, que deixou três feridos, inclusive uma menina de quatro anos.

Ninguém assumiu responsabilidade pelos ataques.

“Se isso tivesse acontecido às 2 horas da tarde em vez de às 2 da manhã, teríamos mortos”, disse o prefeito do bairro de Chacao, Leopoldo Lopez, a repórteres.

No domingo, Chávez acusou a Espanha e os Estados Unidos de se aliarem com a oposição que tenta derrubá-lo. Ele também criticou a vizinha Colômbia, após declarações de um ministro colombiano sobre supostas ligações de Chávez com a guerrilha.

A polícia não fez comentários sobre os possíveis motivos nem sobre o tipo de explosivos usados nos ataques. Os EUA aumentaram a segurança de sua embaixada em Caracas.

Em ambos os locais foram encontrados folhetos com a assinatura “Frente Bolivariana de Libertação – milícias urbanas Coordinadora Simón Bolívar”, nome identificado com um conhecido grupo radical pró-Chávez.

“Nossa revolução não será negociada, só aprofundada”, dizia o folheto, aparentemente em alusão à “Revolução Bolivariana” que Chávez diz estar praticando para erradicar a pobreza e a desigualdade na Venezuela.

O governo venezuelano negou que simpatizantes estivessem por trás dos ataques e sugeriu que alguns membros da oposição tinham mais a ganhar com os ataques.

“Acreditamos que isso faz parte de um plano para criar problemas entre a Venezuela e dois países amigos”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores venezuelano, Arevalo Mendez.

O explosivo colocado na embaixada espanhola destruiu um portão e fez um buraco na parede do muro. O prédio de quatro andares do consulado colombiano, não longe dali, teve os vidros quebrados.

Mendez disse que o governo vai punir os responsáveis.

QUEIXAS DE CHÁVEZ

As críticas de Chávez aos Estados Unidos, à Espanha e à Colômbia foram feitas depois que esses países questionaram a prisão do empresário Carlos Fernández, um dos líderes da recente greve geral de dois meses convocada para tentar derrubar Chávez.

A crise política na Venezuela preocupa a comunidade internacional, já que o país é o quinto maior exportador mundial de petróleo. Sob a liderança do Brasil e dos Estados Unidos, seis “países amigos” da Venezuela tentam ajudar a Organização dos Estados Americanos (OEA) a mediar um acordo.

Até agora, porém, houve poucos avanços. No domingo, Chávez também criticou o secretário-geral da OEA, César Gaviria. No local das explosões de terça-feira foram achados ainda folhetos com críticas a Gaviria e ao ex-presidente Jimmy Carter, outro que já tentou mediar essa crise.

As explosões de terça-feira não são as primeiras contra alvos diplomáticos na Venezuela. Em janeiro, uma granada explodiu na casa do embaixador da Argélia. Várias embaixadas já sofreram ameaças, e as sedes diplomáticas da Alemanha, do Canadá e da Austrália tiveram de ser esvaziadas por causa de suspeitas de bombas.