Emails de Blair sobre morte de Kelly estão na Web

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Publicado sexta-feira, 5 de setembro de 2003 as 12:14, por: cdb

A Internet é vista como terreno fértil para as teorias de conspiração, um lugar onde indivíduos podem se manifestar à vontade sobre as mais recentes notícias controversas. Mas o assunto que dominou as manchetes britânicas nos últimos meses, o suicídio do especialista britânico em armamentos David Kelly e o inquérito que se seguiu, gerou relativamente pouco ruído nos mais ferozes fóruns de debate da Web.

Alguns acreditam que o motivo seja o grande site mantido pelo Departamento de Assuntos Constitucionais (DCA), o órgão governamental que está conduzindo o inquérito Hutton, que se tornou um dos sites políticos mais visitados do Reino Unido, atraindo até 20 mil usuários por dia, informaram seus operadores.

Ele oferece mais de 10 mil páginas de depoimentos e documentos, entre os quais as saborosas mensagens de email trocadas entre o gabinete do primeiro-ministro e a direção editorial da BBC. O conteúdo manteve os devotos da informação online ocupados lendo, e não vociferando.

– Não consigo compreender por que houve tão pouca discussão, mesmo nos mais acesos fóruns da Internet. Esse é o elemento mais surpreendente de todo o episódio, para mim – disse Simon Davies, diretor da Privacy International, um grupo de defesa das liberdades civis.

O acesso oferecido ao mais recente inquérito não tem precedentes no Reino Unido. A Lei dos Segredos Oficiais geralmente mantém informações sensíveis sobre o governo, como essas, protegidas por 30 anos. No mês passado, Lorde Hutton, que preside o inquérito, declarou que o público tem direito de conhecer “cada palavra dos indícios usados no inquérito, e deveria conhecer o conteúdo completo de cada documento usado como prova”.

Há quem acredite que isso seja apenas o começo. A Internet oferece aos governos e grandes organizações um espaço para que apresentem seu lado de uma história, sem distorções. Se o processo for bem administrado, pode aplacar um público que esteja esperando que cabeças rolem.

Mas o inquérito Hutton também expôs a dificuldade de manter emails e memorandos confidenciais escondidos do público. O professor William Dutton, diretor do Internet Institute na Oxford University, disse que as comunicações eletrônicas estão no cerne da filosofia de controle de informações dos governos e empresas, hoje.

Mas ele não acredita que o caso Kelly convença políticos e executivos a deixarem de usar muito o email.

– A afirmação de que o email é prejudicial ao governo (Blair) ou qualquer outra organização é no mínimo discutível – disse Dutton.