Em vários pontos do país, juventude organizada realiza manifestações pelos 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás

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Publicado terça-feira, 17 de abril de 2012 as 14:52, por: cdb

“Nósnos sentimos parte dessa história de luta. O Massacre de Eldorado dos Carajásfaz parte da história e é preciso lutar contra a impunidade para que ajuventude não se sinta perdida”. A consideração é de Ronaldo Souza, integrantedo Levante Popular da Juventude, movimento social que realiza, nestaterça-feira (17), ações em diversos estados do país para lembrar os 16 anos doassassinato de 21 trabalhadores rurais sem-terra na cidade de Eldorado dosCarajás, no Pará, estado da região Norte do Brasil.

Deacordo com Ronaldo, mais de dez estados brasileiros participam das ações doLevante que faz referência ao episódio. São manifestações de denúncias, peçasteatrais, distribuição de panfletos, conversas com a sociedade. Em algunsestados, jovens colocaram 21 cruzes brancas em locais públicos para representaros 21 trabalhadores mortos no massacre. “São atos contra a impunidade e pelaluta pela terra, pela reforma agrária”, comenta.

Emum comunicado divulgado no sítio eletrônico do movimento, os/as jovens doLevante Popular destacam que não se esqueceram do massacre e que continuarão alutar pela justiça. “Sabemos que nós só conseguiremos transformar nosso país,construindo um futuro com justiça e liberdade se resgatarmos a história denosso povo, se julgarmos os crimes do passado e se impedirmos os crimes dopresente. Até que os assassinos sejam julgados, não esqueceremos, nemdescansaremos”, reforçam.

ParaRonaldo, mobilizações como as que acontecem nesta terça-feira animam efortalecem a luta. “São atos como este que alimentam a esperança de pessoas queacreditam na transformação social”, considera.

AJuventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também estápresente nas mobilizações referentes ao 17 de abril, data que marca o Dia Internacional das Lutas Campesinas. De acordo com informações do sítio eletrônicodo movimento, a juventude do MST do Pará realiza, desde o dia 8 de abril, o 7° Acampamento Pedagógico ‘Oziel Alves’, emEldorado dos Carajás.

Durantea atividade, os/as jovens participam de oficinas e debates sobre questãoagrária, educação no campo, agroecologia, agrotóxicos, violência, luta dasmulheres, entre outros assuntos. Na pauta das ações do Acampamento também estáo massacre ocorrido no dia 17 de abril de 1996. Para chamar a atenção para ocaso, jovens realizam o fechamento da BR-150 – local do massacre – por 21minutos. Para o dia de hoje está marcado um ato político na “Curva do‘S’”.

16 anos do Massacrede Eldorado dos Carajás

Nodia 17 de abril de 1996, cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras rurais bloqueavama rodovia BR-150, no Pará, quando foram reprimidos por policiais. A açãopolicial deixou 21 sem-terras mortos (19 no local e outros dois posteriormente)e mais de 60 feridos. Apesar da repercussão nacional, o caso permanece impune.

Atéhoje, 16 anos depois do episódio, somente duas pessoas foram condenadas: ocoronel Mario Colares Pantoja e o major José Maria Pereira Oliveira. Juntas, ascondenações somam 382 anos de prisão, mas os dois ainda respondem em liberdade.Outros 142 policiais militares envolvidos no caso foram absolvidos.

Paraque este caso não caia no esquecimento, em todo o mundo, o 17 de abril écelebrado como Dia Internacional de Luta Camponesa.

Maisinformações em: http://levante.org.br/ e http://www.mst.org.br/noticias