Em primeiro dia no Carandiru, Suzane fica isolada e fala com psicóloga

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 21 de novembro de 2002 as 23:38, por: cdb

O primeiro dia de Suzane Louise von Richthofen, 19, na penitenciária feminina do Carandiru, zona norte de São Paulo, foi considerado “dentro da normalidade” das outras detentas. Ela recebeu atendimento da psicóloga e da assistente social da unidade e conversou com sua advogada.

Acusada de envolvimento no assassinato dos pais, Manfred e Marísia, Suzane ocupa uma cela com banheiro e televisão. Por enquanto, ficará sozinha. No entanto, a diretora da penitenciária, Maria da Penha, afirma que, quando achar adequado, outra presa dividirá a cela com Suzane.

O “regime observação” (quando a presa fica sozinha na cela) dura, em média, um mês. Pode variar conforme a adaptação da detenta.

Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, a defesa pediu à direção da unidade autorização para que o irmão e a avó materna possam visitar Suzane.

A defesa da acusada teria deixado a penitenciária com a promessa de que as visitas ocorreriam “quando possível”.

As visitas na penitenciária feminina do Carandiru ocorrem aos domingos, das 9h às 12h e das 13h às 16h. No entanto, por causa do pedido feito pela advogada, há possibilidades de que os parentes de Suzane possam entrar na unidade fora da data estabelecida. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Suzane.

O namorado da garota, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, 21, e o irmão dele, Cristian, 26, também acusados pelo crime, estão presos desde ontem no CDP (Centro de Detenção Provisória) do Belém, na zona leste. Pediram para ficar na ala do seguro, onde ficam presos ameaçados de morte.

Manfred e Marísia foram assassinados em casa, no Brooklin, zona sul, na madrugada de 31 de outubro. Os três acusados estão presos desde o dia 8, após confessarem o crime.

Antes de os irmãos serem transferidos para o CDP e Suzane, para a penitenciária, eles estavam detidos, respectivamente, no 77º Distrito Policial (Santa Cecília) e 89º Distrito Policial (Morumbi).

Acusações

A prisão preventiva -até o julgamento- dos três acusados foi decretada terça-feira (19) pelo juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri. Ele aceitou a denúncia do promotor Roberto Tardelli.

Suzane, seu namorado, Daniel e o irmão dele, Cristian, foram denunciados ontem por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima) e fraude processual, caracterizada pela intenção de simular latrocínio, revirando a biblioteca da casa.

Cristian é o único que vai responder por uma acusação a mais: furto simples, por ter levado jóias de Marísia.

A retirada de R$ 8.000 e US$ 5.000 da casa após o crime foi desconsiderada. Para o promotor, o dinheiro foi levado com a participação de Suzane, que ainda é herdeira do patrimônio da família. Segundo ele, o único que pode impedir, na Justiça, que Suzane receba parte da herança é seu irmão, Andreas, 15.

As jóias teriam sido retiradas da casa sem o consentimento de Suzane.

O primeiro interrogatório dos três acusados está marcado para ocorrer dia 3 dezembro, às 13h30, no 1º Tribunal do Júri.

Manfred e Marísia foram surpreendidos enquanto dormiam, em casa, e assassinados a pancadas. Foram utilizadas barras de ferro recheadas com madeira, confeccionadas pelos acusados.

Segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Suzane, Daniel e Cristian planejaram e executaram o assassinato. A motivação seria a proibição do namoro de Suzane e Daniel e a consequente herança deixada pelo casal. Suzane afirmou que planejou a morte dos pais ‘por amor’ ao namorado.