Em plebiscito, islandeses aprovam nova Constituição e mais controle do Estado

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 21 de outubro de 2012 as 16:22, por: cdb

Em plebiscito, islandeses aprovam nova Constituição e mais controle do Estado

Por: Ópera Mundi

Publicado em 21/10/2012, 18:18

Última atualização às 18:18

Tweet

São Paulo – Com dois terços dos votos apurados, 66% dos islandeses aprovou, emplebiscito, uma profunda reforma constitucional. A população do país defendeu aadoção de uma nova Carta Magna redigida por um comitê de parlamentares. Avotação foi realizada neste sábado (20/10). A votação é apenas uma consultapopular, pois ainda precisa da aprovação do Congresso para se transformar emlei.

O plebiscito perguntava aos islandeses que respondessem “sim” ou “não”para seis perguntas. Além de aprovarem o projeto constitucional proposto pelocomitê, os islandeses também optaram, com 80% de apoio popular, por um maiorcontrole do Estado na economia nacional, em especial sobre os recursos naturaisdo país. Agora, matérias-primas de atividades como a pesca e a energia geotérmicapassam a ser considerados “propriedade nacional”, e multinacionais terão depagar mais para usufruir da exploração desses recursos.

Segundo a votação, os próximos chefes-de-Estado não poderão se reelegerpor mais de três vezes. Os habitantes também aprovaram a possibilidade deaprovar a realização de novos referendos caso 10% da população formalize opedido através de coleta de assinaturas.

As perguntas contidas no plebiscito foramformuladas por 25 membros do Congresso islandês, após terem recebido 3600comentários e 370 sugestões no site do projeto e de suas representações emredes sociais. 

A taxa departicipação da votação até agora foi calculada em 50% de um total de 235 milcidadãos aptos a votar, de acordo com a rede de TV RUV, muito abaixo dos 72,9%registrados no ano passado, em outro referendo sobre se a população deveria ounão indenizar os credores do banco Icesave, que faliu durante a crisefinanceira de 2008.

A quase falênciaeconômica do país em 2008 em função da crise financeira desencadeou movimentossociais em prol de uma futura constituição elaborada pelos próprios cidadãos.

A constituiçãovigente foi adotada em 1944, depois que a Islândia se tornou independente daDinamarca.

“Trata-se de umarecado muito claro para o parlamento. A maioria dos eleitores quer mudanças emtodos os tópicos abordados pela votação”, disse o economista ThorolfurMatthiasson, da Universidade da Islândia para a agência Reuters.