Em novo dia de protestos, sem-terra voltam a pressionar ministérios

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Publicado quinta-feira, 25 de agosto de 2011 as 18:32, por: cdb

Em novo dia de protestos, sem-terra voltam a pressionar ministériosTrabalhadores acampados em Brasília percorrem gabinetes de cinco ministros para apresentar reinvindicações, enquanto esperam resposta geral do governo Dilma Rousseff sobre retomada da reforma agrária. Nesta quinta (25), cobranças foram feitas aos ministérios da Agricutlura, Desenvolvimento Agrário, Comunicações, Esportes e Educação. Planalto deve se manifestar nesta sexta (26).

Najla Passos – Especial para a Carta Maior

BRASÍLIA – Na expectativa sobre as respostas que o governo dará ao movimento nesta sexta-feira (26), último dia de manifestações em Brasília pela retomada da reforma agrária, milhares de trabalhadores rurais promoveram uma nova rodada de protestos e de cobranças a ministros do governo Dilma Rousseff nesta quinta (25).

Acampados na capital federal desde segunda (22), os sem-terra permanecem em vigília. “O governo já está se sentindo pressionado. Vamos continuar nossa luta”, disse José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), uma das entidades integrantes da Via Campesina, que promove as manifestações.

A exemplo do que vem ocorrendo durante a semana, comissões de trabalhadores foram a ministérios para detalhar pautas específicas, adicionais à bandeira da reforma agrária.

No ministério das Comunicações, cobraram do ministro Paulo Bernardo que a inclusão digital beneficie o campo brasileiro. “Tivemos uma reunião bastante produtiva com o ministro, que se comprometeu também a trabalhar para garantir que o Programa Nacional de Banda Larga atinja todo o setor rural brasileiro, com preços acessíveis para o assentado e para  agricultor familiar”, afirmou Solange Inês Engelmann, do setor de comunicações do MST.

Segundo ela, o ministro já teria mandado ao Congresso um pedido de suplementação orçamentária para atender essa demanda.

Bernardo também teria se mostrado favorável a discutir um projeto piloto para concessão de rádios comunitárias para assentamentos, outra reivindicação histórica do movimento. “A atual legislação das rádios comunitárias não nos atende, porque a potência permitida, de 25 watts, é muito baixa para atender as especificidades do campo. Este será um projeto de longo prazo, mas a sinalização foi positiva”, disse Solange.

No ministério da Agricultura, os sem-terra tiveram o primeiro contato com o ministro recém-empossado, Mendes Ribeiro, que frustrou o movimento ao se posicionar contra a revisão dos índices de produtividade para fins de reformas agrária.

“O ministro prometeu atender algumas de nossas reivindicações, como o fortalecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que trabalhem com a agricultura familiar”, disse José Batista.

No Ministério do Desenvolvimento Agrário, os sem-terra cobraram o assentamento de 60 mil famílias que estariam acampadas. “Há relatos de pessoas que já estão há 14 anos acampadas neste país em condições precárias”, informou Joceli Andreoli, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina. 

Os manifestantes exigiram também a recomposição do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) para a desapropriação  de terras, ameaçado de sofrer cortes no ano que vem, e a renegociação das dívidas da agricultura familiar, estimada por eles em R$ 30 bilhões.

No Ministério dos Esportes, reivindicaram a criação de políticas públicas que possam beneficiar os assentamentos rurais com equipamentos esportivos, como quadras e piscinas. “Foi uma reunião inicial, mas o ministro Orlando Silva prometeu encaminhar sua resposta junto com o conjunto da equipe do governo, nesta sexta”, afirmou João Batista.

No ministério da Educação, cobraram do ministro Fernando Haddad garantias de acesso à educação para os filhos dos trabalhadores rurais. Conforme dados apresentados pela Via Campesina, com base em pesquisas realizadas pelo próprio ministério, mais de 24 mil escolas rurais foram fechadas nos últimos oito anos.

No acampamento dos sem-terra, é grande a expectativa para uma reunião agendada para esta sexta (26) com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na qual os manifestantes vão saber quais reivindicações o governo vai atender.

“O governo prometeu nos dar uma resposta sobre a situação do endividamento rural dos pequenos agricultores. Os trabalhadores não conseguem acessar o crédito, porque a política é inadequada para a agricultura camponesa. E, assim, até o Plano Safra deste ano ficará comprometido”, disse Joceli Andreoli.

Fotos: Liderados pelo MST e Via Campesina, trabalhadores e trabalhadoras rurais de 23 estados e do Distrito Federal fazem manifestações na Esplanada dos Ministérios (Wilson Dias/ABr)

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