Em busca de respostas

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Publicado sábado, 2 de novembro de 2002 as 23:51, por: cdb

Promotores italianos instauraram um inquérito para descobrir por que uma escola foi reduzida a escombros durante o terremoto que abalou San Giuliano di Puglia esta semana, ceifando o vilarejo medieval da maioria de suas crianças de seis e sete anos de idade.

Tremores secundários de até 3,7 graus na escala Richter voltaram a assustar a cidadezinha neste sábado, dois dias após a tragédia que matou 26 alunos e uma professora da escola primária Francesco Iovine.

No Dia de Finados, quando os católicos do mundo inteiro dedicam seus pensamentos aos entes queridos já mortos, pais e mães atordoados buscavam forças para lidar com a perda de seus filhos em San Giuliano di Puglia, cenário do pior terremoto a estremecer a Itália desde 1997.

Aos prantos, famílias inteiras realizaram vigílias no necrotério improvisado em um ginásio de esportes, para onde foram levados os pequenos caixões.

O sepultamento das vítimas está previsto para este domingo, o mesmo dia em que o governo italiano realizará uma reunião ministerial extraordinária para discutir a tragédia.

Um porta-voz informou que, após a reunião, será anunciado um pacote de medidas para assistir as áreas atingidas pelo terremoto na região de Molise, no centro-sul do país, e na ilha da Sicília.

O correspondente da CNN Chris Burns relatou que o principal ponto a ser esclarecido é por que a escola, construída na década de 1950, foi o único prédio que ruiu durante o tremor.

No ano passado, a diretoria da escola ampliou o prédio, acrescentando duas salas de aula no andar superior. As autoridades vão investigar se a obra estava dentro dos padrões.

Imagens aéreas de San Giuliano di Puglia mostram que diversos prédios, alguns com centenas de anos, sofreram rachaduras. A escola, porém, caiu feito um castelo de cartas, em questão de segundos.

Cerca de 60 crianças estavam na escola no momento do terremoto. As equipes de resgate passaram um dia e meio revirando os escombros e retiraram 35 pessoas com vida.

Outras duas pessoas – ambas mulheres – morreram em outras áreas da cidade. Por toda a região, há 3.000 desabrigados; boa parte deles perdeu suas casas na sexta-feira, em um forte tremor secundário que ultrapassou os cinco pontos na escala Richter.

Neste sábado, o jornal Corriere della Sera informou que o serviço nacional de prevenção de terremotos, em relatório preparado em 1998, reclassificou as áreas de risco em toda a Itália e incluiu San Giuliano di Puglia na lista de regiões sob ameaça. Entretanto, nenhuma medida foi adotada.