Em ano com recorde de mortes, Itália aprova vacina contra a aids

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Publicado terça-feira, 25 de novembro de 2003 as 14:48, por: cdb

O ministério italiano da Saúde aprovou, nesta terça-feira, os testes em seres humanos de uma vacina experimental contra a aids. O anúncio do Instituto Superior de Saúde (ISS) italiano ocorre no mesmo instante em que a Organização das Nações Unidas revela que, em 2003, o número de mortos em conseqüência da pandemia foi o maior de toda a história da humanidade. A vacina experimental está baseada na utilização da proteína viral Tat do vírus, e foi colocada desenvolvida pela divisão retrovírus do laboratório de Infectologia do ISS.

A experiência em homens da vacina será dirigida pela italiana Bárbara Ensoli, pesquisadora que trabalhou durante anos nos EUA como o infectologista Robert Gallo, e começará em três centros clínicos: dois em Roma (hospital Spallanzani e Universidade La Sapienza) e um de Milão (San Raffaele).

O primeiro passo da experiência será o cadastramento e a seleção de voluntários que participarão nos testes.

A primeira fase terá o objetivo de provar que a preparação não é prejudicial para o organismo, enquanto a segunda e a terceira fase deverão demonstrar a eficácia da vacina para prevenir a infecção ou reduzir a progressão da doença.

São dois os protocolos de experiência que serão desenvolvidos: um preventivo, ou seja, no individuo são, para o qual serão cadastrados 32 voluntários sem risco, e um terapêutico, ou seja, em indivíduos infectados, na qual participarão 56 voluntários, que não estão em terapia com fármacos antiretrovirais.

Esta primeira fase da experiência prevê seis meses de tratamentos e outros seis de observação, no final dos quais serão divulgados pelo ISS os primeiros resultados.

O Instituto divulgou também um número de telefone gratuito para encontrar voluntários.

Recorde histórico

O número de mortes e novos casos de HIV/aids bateu todos os recordes em 2003. A previsão da ONU é que estes números deverão aumentar ainda mais, pois a doença já dominou a África subsaariana e se desenvolve sobre o Leste Europeu e a Ásia Central. Novas estimativas globais mostram que cerca de 40 milhões de pessoas no mundo vivem com HIV/Aids, incluindo estimadas 2,5 milhões de crianças com menos de 15 anos. Cerca de 5 milhões de pessoas foram infectadas em 2003 e mais de 3 milhões morreram neste ano.