Eleitores fantasmas são descobertos no Piauí

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Publicado segunda-feira, 29 de dezembro de 2003 as 12:08, por: cdb

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descobriu que em pelo menos cinco municípios do Piauí o número de eleitores supera em mais de 100% a população, incluindo as crianças, informou o Meio Norte. A Secretaria de Informática do TSE apontou que no Piauí, os municípios de Bocaina, Juazeiro do Piauí, Novo Santo Antônio, Pau D’Arco do Piauí e Bom Princípio do Piauí têm número de eleitores mais de 100% superior ao número de habitantes.

A revisão do eleitorado do TSE foi feita em 1.030 dos 5.565 municípios brasileiros. Dos municípios onde foi feita a revisão eleitoral, 44 tinham mais eleitores do que habitantes, sendo cinco no Piauí.

Ao tomar posse, no início de dezembro, na presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no Piauí, o desembargador Raimundo Nonato da Costa Alencar, prometeu promover revisão eleitoral onde foi detectado némero maior de eleitoral do que a população.

No município de Bocaina, no sul do Piauí, os 4.534 eleitores são 106,1% a mais do que os 4.272 habitantes, incluindo as crianças. Em Juazeiro do Piauí, os 4.753 eleitores são 105,8% a mais do que os 2.809 habitantes do município. No município de Novo Santo Antônio, os 3.305 eleitores são 104,9% em número superior aos 3.149 habitantes, incluindo as crianças. Só podem votar pessoas a partir dos 16 anos de idade.

Em Pau D’Arco, os eleitores são 3,075 contra 3.062 habitantes. Em Bom Princípio do Piauí, os eleitores são 4.515 contra 4.497 habitantes. Nos dois municípios a diferença entre eleitores e habitantes é de 100,4%.

A Justiça Eleitoral suspeita que os interesses políticos locais fazem com que eleitores de outras cidades votem nos municípios onde disputam cargos eletivos. Existem muitos casos no Piauí que as pessoas moram e trabalhavam em Teresina ou em outros importantes como Floriano, Picos, Parnaíba, Bom Jesus, Corrente, Uruçuí, Oeiras, Piripiri e até em Brasília e mantêm o domicílio eleitoral nos municípios onde nasceram e vão votar nas eleições para rever suas famílias ou para ajudar a eleger parentes ou políticos ligados ao seu grupo familiar.

O que está acontecendo também é que em alguns Cartórios Eleitorais do interior do Estado, os funcionários não estão exigindo contas de luz, água ou de telefone como prova de residência no município até porque boa parte da população não é assistida por esses serviços.

As correições do Tribunal Superior Eleitoral são feitas por amostragem, mas o TRE faz revisão eleitoral quando é solicitada pelo promotor eleitoral, partidos e líderes políticos quando apresentam dados e fatos pertinentes que mostrem a distorção entre o número de eleitores e habitantes.

A legislação eleitoral determina revisões no cadastro dos municípios em que o eleitorado supere 65% da população, que tenham registrado transferências de mais de 10% dos títulos em relação ao ano anterior e onde o número de eleitores supere o dobro da população entre dez e 15 anos somada aos maiores de 70 anos.