Eleito prefeito na Argentina general acusado de opressão na ditadura

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Publicado segunda-feira, 7 de julho de 2003 as 21:55, por: cdb

Um general aposentado, que foi acusado de abuso de direitos durante a “guerra suja” na Argentina, venceu a eleição para prefeito com uma diferença de 17 votos para o concorrente, filho de um homem que desapareceu no período que o militar governou.

Antonio Bussi, que governou Tucuman, uma província pobre localizada no norte do país, durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983) e que foi protegido por leis de anistia, ganhou o posto de prefeito da capital San Miguel na segunda-feira após a contagem final da votação de 29 de junho.

Bussi teve 80,188 votos contra os 80,171 de Gerônimo Vargas Aignasse, cujo pai, o político Guillermo Vargas, desapareceu em 1976 durante a repressão brutal da junta militar contra opositores esquerdistas.

– Meu pai foi levado da minha casa na época em que Bussi era responsável pelas vidas de todos em Tucuman – lamentou Vargas Aignasse em uma rádio local.

– Eu aceito a decisão embora doa e embora pareça inacreditável. Mas não podemos esperar reconstruir um país sério quando os culpados ficam impunes ou escapam do julgamento – acrescentou.

A ditadura na Argentina torturou e matou mais de 30 mil oponentes, muitas vezes arremessando-os de aviões no Atlântico ou roubando seus filhos para dar para adoção para famílias de militares.

A conquista de Bussi aconteceu alguns dias depois que o México extraditou um ex-oficial da Marinha argentina para enfrentar as acusações de genocídio e terrorismo na Espanha, aumentando as esperanças de que outros acusados de opressão sejam julgados.