Eleições no Afeganistão se encerram e não haverá interrupções

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Publicado sábado, 9 de outubro de 2004 as 09:21, por: cdb

A primeira eleição presidencial da história do Afeganistão, marcada por denúncias de fraude, já está sendo encerrada. Houve confrontos entre a coalizão militar liderada pelos EUA e milicianos do talibã, mas o episódio não teve impacto sobre o pleito.

Segundo o governador da província de Uruzgan, Jan Mohammad Khan, 24 suspeitos de integrar o talibã foram mortos num ataque aéreo. O ataque foi lançado depois de um comboio de tropas estrangeiras e afegãs ter sido atacado no distrito de Char Cheno e pedido reforços, horas antes do início da votação.

As autoridades temiam que a milícia talibã, que governava o país antes da guerra empreendida pelos EUA em resposta ao 11 de Setembro, tentasse sabotar as eleições com atos de violência.

Comissão Eleitoral não irá interromper a votação

De acordo com a Comissão Eleitoral afegã, é “injustificado” interromper as eleições presidenciais, apesar do pedido feito por 14 dos 18 candidatos.

“Centenas de pessoas estão votando e, neste momento, interromper as eleições é injustificado e seria negar a essa gente o direito ao voto” informou em um comunicado a Comissão Eleitoral conjunta, composta por representantes das autoridades afegãs e das Nações Unidas.

Momentos antes da publicação deste comunicado, a comissão informou que estava examinando a denúncia dos 14 candidatos, que alegaram irregularidades nestas eleições. Segundo um porta-voz das Nações Unidas em Cabul, a comissão faria um pronunciamento em breve.

– A Comissão eleitoral está examinando esta situação. A leva muito a sério, com toda a atenção que merece – disse Manoel de Almeida e Silva, em Cabul.

– Antes de uma hora, a Comissão Eleitoral fará um anúncio – disse o porta-voz pouco depois das 14h30 locais (7h de Brasília), uma hora e meia antes do fim da votação.

– Qualquer inquietação de qualquer candidato ou grupo de candidatos deve ser levada a sério – disse.

Catorze candidatos, entre eles o principal adversário do presidente interino e favorito a vencer as eleições, Hamid Karzai, o ex-ministro da Educação, Yunus Qanooni, pediram no meio do dia a suspensão das eleições, alegando irregularidades.

Dos três candidatos restantes, além de Karzai, dois pediram na última quarta-feira a seus eleitores que votassem no presidente interino e a única mulher candidata, Masuda Jalal, ainda não tinha tomado uma decisão.