Eleição na Sérvia é liderada por ultra-nacionalista

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Publicado segunda-feira, 17 de novembro de 2003 as 01:33, por: cdb

O candidato ultra-nacionalista Tomislav Nikolic estava vencendo o representante da coalizão reformista governante na eleição presidencial da Sérvia realizada no último domingo. O pleito corre o risco de ser invalidado por participação insuficiente do eleitorado.
 
De acordo com a Comissão Eleitoral (RIK), que se baseou nos resultados em 30% dos centros de votação, Nikolic somava 45% dos votos, e o candidato da coalizão reformista no poder (DOS), Dragoljub Micunovic, juntava 36%. Nikolic é o líder do Partido Radical (SRS), que foi aliado do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, derrotado pelo DOS em outubro de 2000.

A clara vantagem de Nikolic foi anunciada pelo Centro para as Eleições e a Democracia (Cesid), organização não-governamental que supervisionou as eleições.

A Comissão Eleitoral e o Cesid apontaram um índice de participação muito inferior ao requerido pela lei vigente na Sérvia – caso bastante excepcional no mundo – para validar a eleição (um mínimo de 50% mais um voto dos 6,5 milhões de inscritos). Conforme a comissão, a participação nas eleições foi 38,3%.

Assim, a eleição presidencial na Sérvia pode fracassar pela terceira vez consecutiva em treze meses por causa de um nível de participação eleitoral insuficiente. O mesmo aconteceu em outubro e em dezembro de 2002.

Esta situação causa um problema institucional na Sérvia, já que agora não existe no país qualquer instituição habilitada para convocar uma nova eleição presidencial. A decisão deve ser tomada pelo presidente ou pelo presidente do Parlamento, o único que pode assumir a presidência interina do país.

Natasa Micic, que assumia ambos os cargos desde dezembro de 2002, os perdeu na quinta-feira passada ao anunciar a dissolução do Parlamento e ao convocar eleições legislativas em 28 de dezembro.

– Todas as partes devem retirar conclusões do sucedido. Acredito que a maioria na Sérvia é democrática e não desviará do caminho das integrações européias e da democracia – declarou Micunovic.

A crise política continua na Sérvia, três anos depois da queda de Milosevic, em outubro de 2000, e oito meses depois do assassinato do primeiro-ministro Zoran Djindjic.