EI transforma Telegram em ferramenta de marketing

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Publicado quinta-feira, 19 de novembro de 2015 as 12:56, por: cdb

Por Redação, com Reuters – de Beirute/São Francisco:

O serviço de mensagens móveis Telegram, criado pelo exilado fundador da rede social mais popular da Rússia, emergiu como uma importante nova plataforma promocional e de recrutamento para o Estado Islâmico.

O serviço, estabelecido dois anos atrás, fez sucesso em muitas partes do mundo como uma maneira ultra segura de fazer um upload rápido e compartilhar vídeos, textos e mensagens de voz. Ele conta com 60 milhões de usuários ao redor do mundo.

Uma nova ferramenta do Telegram que foi introduzida em setembro se tornou o método preferido para o Estado Islâmico
Uma nova ferramenta do Telegram que foi introduzida em setembro se tornou o método preferido para o Estado Islâmico

Uma nova ferramenta do Telegram que foi introduzida em setembro se tornou o método preferido para o Estado Islâmico transmitir notícias e compartilhar vídeos de vitórias militares ou sermões, de acordo com pesquisadores de segurança.

O Estado Islâmico transformou o Telegram em seu porta-voz de mídia, em face do aumento agressivo de esforços para bloquear o grupo no Twitter e outras plataformas difundidas de mídias sociais.

Alex Kassirer, um analista contra o terrorismo da empresa priva de inteligência Flashpoint, sediada em Nova York, disse que o EI usa os canais de transmissão do Telegram para enviar mensagens que visam o recrutamento, a inspiração e a motivação.

O EI tem agora três ou quatro dúzias de canais por funções do Telegram, como um tipo de serviço de releases de imprensa, disse Rita Katz, diretora do serviço de monitoramento de extremistas SITE Intelligence Group, sediado em Bethesda, Maryland.

Hackers ativistas

Simpatizantes do Estado Islâmico que usam as redes sociais para disseminar propaganda e recrutar combatentes estão atraindo uma crescente quantidade de contra-ataques de ativistas que têm derrubado alguns sites.

O coletivo de hackers Anonymous é o mais recente a atrair atenção para tais campanhas, com membros reivindicando os créditos esta semana por desativar milhares de contas do Twitter pró-Estado Islâmico

Mas outros grupos reivindicam terem feito isso há mais tempo. Um deles, que fornece informações para o governo-norte americano, disse que já suprimiu dezenas de milhares de contas do Twitter desde janeiro e que seus membros se passaram por aspirantes a recrutas para obterem informações das operações do Estado Islâmico na Web.

– Estamos atuando mais com um papel de inteligência – disse o diretor executivo do Ghost Security Group, que não quis ser identificado, citando preocupações com segurança. O grupo é uma organização voluntária que tem enviado dados para o FBI e outras agências via um conselheiro de terrorismo do Congresso dos EUA, Michael S. Smith II.

As agências norte-americanas “apreciam o suporte externo. Eu tenho constante feedback sobre isso”, disse Smith. O general reformado David Petraeus recentemente disse ao Ministério das Relações Exteriores que revisou os dados de Smith e viu como “seriam de considerável valor para aqueles engajados em iniciativas contra o terrorismo”. O FBI não quis comentar.

Os ataques contra Paris na sexta-feira passada elevaram a atividade online contra os jihadistas, mas os esforços independentes para combater o Estado Islâmico online continuam cheios de riscos.

Ataques civis e de negação de serviço, que sobrecarregam servidores e tiram um site do ar, por exemplo, são ilegais, não importa o alvo. Os esforços mais sofisticados, incluindo os de infiltração de falsos recrutas, têm o risco de complicarem esforços oficiais dos EUA ou aliados.

O general reformado dos EUA Mike Hayden, ex-diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA) e da Agência Central de Inteligência (CIA), afirmou quando perguntado sobre se tais agências apreciam as atividades de organizações como a Ghost Security Group: “Oficialmente, não. Mas a legislação norte-americana é tão restrita que eu tenho certeza que o pessoal no governo aprova secretamente isso, como eu aprovo.”

A forma mais simples para voluntários se engajarem é usar os canais de reclamação do Twitter, YouTube e Facebook para denunciarem contas que apoiam o terrorismo. Todos os três sites se mostraram mais retornos no último ano, afirmam ativistas, apesar de todos evitarem comentar detalhes sobre o assunto.

O Facebook baniu este ano qualquer apoio de grupos considerados terroristas em seu site. O YouTube agora age mais prontamente para retirar vídeos violentos dentro horas depois da publicação, afirma o Ghost Security Group.