EI tem recursos para construir armas químicas, afirma Rússia

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Publicado quinta-feira, 29 de outubro de 2015 as 12:28, por: cdb

Por Redação, com Ansa – de Moscou

O grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis) possui tecnologia suficiente para produzir armas químicas, acusou o diretor do Departamento de Assuntos de Não-Proliferação e Controle de Armas do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Ulianov, citado pela agência russa de notícias Tass, nesta quinta-feira.

O Estado Islâmico é o exército do califado em vigor no norte da Síria e do Iraque
O Estado Islâmico é o exército do califado em vigor no norte da Síria e do Iraque

– Foram registrados muitos exemplos de usos de armas químicas na Síria e no Iraque por parte de militantes do EI – disse o especialista.

Ulianov ressaltou que “não se trata apenas do uso de cloro com fins militares, acusação que também recaiu sobre Damasco”.

– Há indícios de uso de verdadeiras armas químicas, como gás mostarda (iperita) e lewisite (um tipo tóxico de gás), cuja a produção exige tecnologias complexas – afirmou Ulianov.

Desde setembro, a Rússia realiza bombardeios independentes na Síria sob argumento de combater o avanço do Estado Islâmico, o qual teria recrutado e treinado cidadãos de países da antiga URSS.

No entanto, os Estados Unidos e países europeus, que integram uma coalizão internacional, acusam Moscou de, na verdade, atacar rebeldes e opositores do presidente sírio, Bashar al-Assad, para fortalecer o regime local, um aliado seu na região. O EI domina o norte da Síria e do Iraque, onde estabeleceu um califado regido pela sharia (lei islâmica).

O grupo, considerado um dos mais organizados e autofinanciados, utiliza técnicas de execução, decapitação e sequestros para conquistar territórios. O governo norte-americano analisa atualmente a possibilidade de enviar tropas para a linha de frente no combate ao EI, uma mudança incisiva na política do país para a região.

O avanço do Estado Islâmico na Síria se deve, principalmente, ao vácuo de poder causado pela guerra civil local, iniciada em 2011, no âmbito da Primavera Árabe, para derrubar o governo de Assad. Organizações internacionais já investigaram o uso de armas químicas no conflito entre o Exército e os rebeldes sírios.