Efeito dominó chega ao Brasil junto com medo da recessão mundial

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Publicado segunda-feira, 10 de setembro de 2001 as 17:35, por: cdb

O fantasma da recessão nos EUA derrubou as bolsas no oriente e o efeito dominó chegou ao Brasíl no final da tarde desta segunda-feira, com o pregão da Bovespa fechando em baixa de 2,88%, e o Ibovespa em 11.901 pontos e volume financeiro de R$ 395,453 milhões. A forte queda das ações preferenciais da Telemar, as mais negociadas e de maior peso na carteira do Ibovespa, puxou o Ibovespa para baixo.

Os principais mercados de ações na Ásia fecharam em baixa. A Bolsa de Tóquio teve mais uma queda recorde, aproximando-se da barreira dos dez mil pontos. Na Europa, os principais índicadores de tendência abriram também em forte queda. Nos Estados Unidos, abrindo também em baixa, os principais indicadores ainda não encontraram tendência definida.

O dólar comercial deve mesmo bater novo recorde nesta segunda-feira. Às 16h05m, a menos de uma hora do encerramento dos negócios, a moeda americana era cotada a R$ 2,604 na compra e R$ 2,607 na venda, com alta de 0,85%. Até hoje a maior cotação de fechamento do dólar é de R$ 2,59, registrada no dia 13 de julho.

A pressão é reflexo do mau desempenho dos mercados externos na sexta-feira, dia de feriado no Brasil, quando números negativos sobre a economia americana derrubaram as bolsas. Também as quedas dos títulos da dívida argentina são influência negativa para o mercado hoje. No mercado futuro, o dólar para entrega em outubro foi cotado no último negócio a R$ 2,635, alta de 0,86%.

O dólar paralelo negociado em São Paulo fechou estável hoje, cotado a R$ 2,60 na compra e R$ 2,63 na venda. O paralelo também não variou no Rio, onde terminou em R$ 2,54 na compra e R$ 2,60 na venda. O dólar turismo de São Paulo subiu 1,53%, a R$ 2,58 na compra e R$ 2,64 na venda.

O medo da recessão

Os dados ainda são bastante divergentes, ou seja, é cedo para afirmar que a economia mundial esteja próxima de um movimento de recuperação ou recessão. Além disso, números muito negativos sobre o crescimento do desemprego nos Estados Unidos na sexta-feira preocuparam.

A União Européia, o Japão e alguns países asiáticos também registram queda nas exportações ou desaceleração econômica. E se as principais economias do mundo entrarem em um processo recessivo, o Brasil terá mais dificuldades em atrair capitais externos. Os investidores já operam mais pessimistas e estão atentos para os principais indicadores econômicos.

Na Argentina, que é o outro fator de risco para os investidores brasileiros, a estabilidade atual é superficial. Sem dúvida, uma recessão mundial agrava a crise do país, que já não consegue atrair investimentos. Mas a proximidade das eleições legislativas de 14 de outubro traz instabilidade crescente, especialmente porque se prevê uma derrota esmagadora do governo, dificultando os esforços de eliminação imediata do déficit público em todas as esferas.

Em meio à campanha, espera-se que o presidente Fernando De la Rúa apresente o orçamento de 2002 ao Congresso nos próximos dias. É pouco provável que o governo consiga evitar o descontentamento popular ao apresentar cortes de gastos e as críticas da oposição às vésperas da eleição. Mas, se a derrota no pleito parlamentar se concretizar, talvez seja a melhor oportunidade para aprovar um orçamento restritivo, mesmo às custas dos mandatos dos próprios senadores e deputados. O processo não será simples, e o mercado deve acompanhá-lo de perto.