Educadores e educadoras de Santa Catarina decidem pela Greve!

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Publicado sábado, 14 de maio de 2011 as 08:25, por: cdb

Por Por ACT Revoltado 14/05/2011 às 11:05

9000 dizem já basta ao desgoverno Colombo!

Infelizmente por mais uma vez o governo de Santa Catarina tratou com descaso e omissão a educação, em uma deliberação cheia de malabarismos demagógicos o Secretário da Educação Marco Tebaldi anunciou que pagará o piso nacional dos profissionais da educação, mas o valor que será pago é resultante da soma do salário base com os abonos.

Esse calculo está em desacordo com a Lei federal 11738 e com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça no dia 6 de abril, que considerou constitucional a Lei do Piso e hora-atividade, onde é contado como piso só o salário base.

Indignados e indignadas com a decisão do governo, 9000 educadores e educadoras decretaram greve na assembleia realizada dia 11 de maio. A greve que iniciará do 18 de maio por tempo indeterminado, visa de garantir: a implantação da lei do piso nacional, reformas e construção de unidades escolares, a revogação da lei que discrimina os professores temporários, eleição direta para diretores, concursos para professores, a anistia das faltas da greve de 2008 que impedem a progressão horizontal do professorado efetivo entre outras exigências.

Após a assembleia os educadores e educadoras e estudantes saíram do Centro Sul em passeata até Assembleia Legislativa, passando pela Secretaria de Educação e principais avenidas da capital até o Terminal do Centro na Avenida Paulo Fontes.

Nos 11, 12, 16 e 17 serão ministradas aulas de 30 minutos esclarecendo aos estudantes, pais e mães e comunidade qual da educação da educação em Santa Catarina.

Durante a saída do Centro Sul policiais militares comandados pelos Tenente Coronel Araújo Gomes do 4º Batalhão de Polícia Militar, tentaram impedir a saída do carro de som do centro de convenções, fato que gerou vaias e protestos dos educadores e educadoras, para desculpar-se pela ação completamente arbitrária e incompetente que visava apenas demonstrar força, o Tenente-Coronel afirmou para mídia convencional que os professores iriam fechar as pontes que dão acesso a capital e que havia combinado com o sindicato que travessia pela passarela que tem menos de 3m de largura.

Entenda o caso:

Jornada de Trabalho, remuneração e projeto político pedagógico.

A gravidade de tal situação, muitas vezes amenizada pelos veículos de comunicação convencional, reflete em todos âmbitos da vida da sociedade catarinense, já que sem um salário justo os profissionais da educação acabam por ter que trabalhar jornadas desumanas de até 60 horas, sendo que 4/5 na sala de aula, e, em escolas diferentes.

Os educadores e educadoras para ter condições materiais mínimas para sustentar suas famílias tem enfrentado jornadas que impedem que estes profissionais atualizar seus conhecimentos, jornadas que lhe tiram o convívio com suas famílias e o direito fundamental ao lazer.

O isolamento causado pela falta de tempo para atividades fora de sala de aula e recursos materiais tem prejudicado principalmente a construção de laços sociais e solidariedades dos educadores e educadoras com seus pares, com os os/as estudantes e com comunidade, relações fundamentais para qualidade do processos de ensino aprendizagem e a relação escola/comunidade.

Concursos, ACTs e Efetivos

A não realização de concursos desde 2005 gerou um déficit de mais de mais de 50% no corpo docente em Santa Catarina, vagas parcialmente preenchidas pelos professores por contrato temporário.

Os professores ACTS estão submetidos a um regimento especial onde não tem seus títulos reconhecidos, não tem direito a planos de saúde e outros direitos dos professores efetivos e a discriminação da lei complementar no. 456/89 que prevê a demissão e suspensão por três anos do ACT que faltar por dois dias consecutivos ou cinco alternados. Os professores efetivos por meio de um decreto de 2008 também impedidos de terem sua progressão no plano de carreira se tiverem faltas.

As medidas do governo catarinense por meio do legislativo visam apenas amordaçar os educadores e educadoras que participam do movimento docente cortando salários e benefícios daqueles que tem coragem de ousar desafiar o poder.

Gestão democrática das escolas e estatísticas positivas.

Em Santa Catarina pouquíssimas escolas gozam de direções eleitas pela comunidades, a grande maioria dos diretores são nomeados pelas gerenciais de ensino e tem como funções manter positivos os índices de aprovação escolar, reprimir a autonomia pedagógica dos docentes e qualquer desvio em relação aos interesses do governo.

Como interventores as arbitrariedades dos diretores nomeados tem criado uma falso índice positivo nas estatísticas da educação catarinense, pois centenas de estudantes tem sido aprovados por meio do conselho de classe graças a sua pressão e diretrizes estaduais.

Escolas diferenciadas:

Apesar de algumas escolas gozarem de uma boa estrutura física, a grande maioria das escolas das que atendem as populações mais pobres do nosso estado estão péssimo estado por falta de investimento e de gestão. Casos graves como falta de professores durante um ano letivo inteiro, acidentes com estudantes, funcionários e educadoras e de violência violência física e simbólica permeiam o cotidiano da escola em SC rotineiramente ocultados pelas direções e secretarias regionais.

Um coro de 9000 vozes que dizem: Já Basta!

No dia 11 de maio aqueles e aquelas que tem a digna tarefa de educar as novas gerações para autonomia,justiça, vida digna e liberdade estão dizendo basta para este governo e governos anteriores que nos tornaram prisioneiros dos burocratas, políticos profissionais e tecnocratas que tomam decisões não para beneficiar a sociedade e sim para manterem-se em e cargos, onde o exercício do poder se resume a manter os privilégios desta ou daquela elite.

Estão dizendo basta a discriminação da juventude trabalhadora submetida a superexploração da sua força de trabalho em contrato temporários e leis que lhe retiram o direitos a uma vida digna;

Estão dizendo basta para violência física, estrutural e simbólica dos poderosos contra os pequenos nas unidades escolares afim de criar corpos saudáveis, mentes vazias e corações frios;

Estão dizendo basta aos diretoras e diretores nomeados para serem os jagunços do governo para garantir seu desgoverno;

Estão dizendo basta para discriminação a juventude pobre;

Estão dizendo um basta para governos que não sabem o que é mandar obedecendo.