Economistas apóiam prorrogação do acordo e diluição de pagamentos ao FMI

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Publicado quarta-feira, 5 de novembro de 2003 as 21:53, por: cdb

A prorrogação por mais um ano do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciada nesta quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, é positiva na análise de economistas. Para eles, os US$ 14 bilhões, US$ 8 bilhões do acordo deste ano e mais US$ 6 bilhões em novos recursos, darão ao país mais credibilidade e segurança para enfrentar eventuais crises econômicas internacionais e possíveis saídas de dólares.

– O governo Lula já conquistou credibilidade dos investidores internacionais. O dinheiro do Fundo vai ajudar a conquistar aqueles que ainda têm alguma desconfiança do país. Quanto à manutenção de metas, essa é uma decisão do governo, que tem compromisso com a estabilidade do país, e não uma imposição do Fundo. Não prorrogar esse acordo, seria uma besteira, porque o Brasil ganhou fôlego com a possibilidade de pagar em dois anos mais a dívida que venceria em 2005 – avalia Cláudio Considera, ex-secretário de Acompanhamento Econômico e professor do Ibmec.

Para o o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central, o acordo “é como uma rede de segurança de um trapezista”.

– O Brasil não tinha saída. O acordo era inevitável e essencial para o país ter mais credibilidade e tranqüilidade – diz.

A economista Lia Vals Pereira, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concorda com o ex-diretor do BC. Para ela, “a prorrogação do acordo com o FMI não deve ser avaliada como boa ou ruim, mas como inevitável para o país”. Um dos pontos destacados como positivo por Lia é o prazo maior para o Brasil quitar a dívida que venceria em 2005.

– É uma sinalização de compromisso com a estabilidade e um tipo de seguro. Quanto às metas de superávit primário, isso já é um compromisso do governo – explica Lia.