Economia turca deve escapar ilesa dos atentados

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Publicado sábado, 22 de novembro de 2003 as 16:35, por: cdb

A economia da Turquia deverá escapar ilesa dos atentados dos últimos dias, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

A maior vantagem do país é que, por ser um dos principais aliados dos Estados Unidos em uma região tumultuada, deve se beneficiar da generosidade americana.

-O resultado dos ataques é que provavelmente vai aumentar o compromisso da comunidade internacional com a Turquia, especialmente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos Estados Unidos- disse Nick Eisinger, analista sênior da agência de risco Fitch Ratings.

Os Estados Unidos anunciaram, há dois meses, um pacote de empréstimos com juros subsidiados à Turquia no valor de US$ 8,5 bilhões, que ainda não foram liberados. É provável que a liberação dessas linhas se acelere a partir de agora, segundo Eisinger.

Bolsa

A Bolsa de Istambul teve que fechar na quinta-feira depois de cair mais de 7% com a notícia dos atentados, a lira turca se desvalorizou e os papéis do país caíram no mercado internacional.

No entanto, os mercados reagiram bem, passado o pânico, a moeda do país recuperou seu valor e a cotação dos papéis também voltou aos níveis anteriores aos ataques.

– O efeito desses eventos desafortunados foi pequeno e os ativos do país se recuperaram rapidamente- disse Richard Segal, analista da corretora Exotix, do grupo Icap.

A bolsa continuará fechada por causa dos feriados em comemoração ao fim do ramadã, mês de jejum dos muçulmanos.

-A Bolsa de Istambul é muito volátil e não se deve ler muito nessa queda-disse Eisinger.

– O sentimento foi afetado, mas não de forma significativa- completou.

Metas

A Turquia tem um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 16 bilhões.
O próximo desembolso de recursos depende de aprovação da diretoria do FMI depois de concluída a revisão do cumprimento das metas do acordo, o que está previsto para as próximas semanas.

O país assumiu o compromisso de atingir a meta de um superávit primário (resultado das contas públicas que exclui receitas e despesas financeiras) de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
As despesas fixas aumentaram e, apesar da expansão da economia – a Fitch estima que o país vai crescer 5% este ano – e ganhos de receita, dificilmente o país cumprirá essa meta, segundo previsão dominante entre especialistas em Turquia.

A Fitch prevê que o superávit primário deste ano deve ficar em 5% ou no máximo 5,5% do PIB.
Mesmo assim, a expectativa de analistas é que o FMI deve aprovar o desembolso de recursos, especialmente dentro dessa nova ótica em que o país é vítima de atentados e deve receber mais apoio da comunidade internacional.

Turismo
-A recuperação da economia do país deve continuar, apesar desses atentados- previu Segal.

O turismo, porém, é importante fonte de divisas para a Turquia e ainda na quinta-feira, os governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Australia já alertaram seus cidadãos para que não viajem ao país.

Para Eisinger, no entanto, o impacto sobre o turismo não deve ser expressivo, porque o período de alta estação já acabou.

A Indonésia, que também depende fortemente do turismo, sofreu depois dos atentados em Bali, em outubro de 2002.

Segal argumentou, no entanto, que o setor se recuperou depois de algum tempo. Ele aposta que, a médio e longo prazo, o turismo deve voltar a crescer na Turquia.

Apesar do otimismo, ainda existe riscos de o país sofrer mais com uma sucessão de atentados.

– Se a onda de atentados aumentar, as coisas podem ficar mais preocupantes, afetando o sentimento de investidores e o consumo- explicou o analista da Fitch.