É preciso colocar a cultura na cesta básica, diz Gilberto Gil

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Publicado sábado, 29 de novembro de 2003 as 15:24, por: cdb

Nos primeiros onze meses de governo Lula, o ministério da Cultura fez uma opção consciente pelo discurso. A afirmação é do ministro Gilberto Gil, durante Conferência Nacional de Cultura do PT, aberta hoje em São Paulo. “É preciso colocar a cultura na cesta básica brasileira”, justificou Gil. A política do discurso também foi eleita como alternativa à falta de recursos para a realização de um “projeto cultural de tijolo e cal”, nas palavras do ministro.

Em 2004, mesmo com orçamento apertado, a idéia é avançar do discurso para a ação objetiva. Entre as prioridades do ministério estão o reaparelhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Fundação Nacional de Arte (Funarte) – “sem dúvida alguma, as áreas mais críticas”, segundo Gilberto Gil. Os projetos para o próximo ano incluem a construção de marcos regulatórios para áreas importantes, como propriedade intelectual e direitos autorais, e a criação das Casas de Apoio à Cultura.

Para colocar tantos planos em prática, Gil revelou que confia no prometido não contingenciamento do orçamento. O ministro também aposta em parcerias com instituições como o banco do Nordeste, o Banco do Brasil e o BNDES, e na prorrogação e ampliação do programa com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Outra fonte importante de recursos, na avaliação do ministro, seria a chamada loteria cultural.

– A realização do sonho coletivo de construir um país de todos passa necessariamente pela cultura-afirmou Gilberto Gil em seu discurso de abertura da Conferência Nacional de Cultura do PT.

O ministro aproveitou a ocasião para convocar delegados petistas, sociedade e governo a abraçar a causa cultural.

– O presidente Lula conferiu ao ministério da Cultura a dupla missão de ampliar o acesso do povo brasileiro à produção e à fruição de bens culturais e valorizar a nossa diversidade cultural. Não realizaremos a demanda do presidente sem que todo o governo abrace a cultura – enfatizou Gil.

– O ministro da Cultura convoca a sociedade brasileira para uma reflexão sobre o papel estratégico da cultura na transformação política, econômica e social do Brasil – disse o ministro.